Chegando em Bergen

Bergen é a segunda maior cidade da Noruega, um país Nórdico que ocupa a parte ocidental da Escandinávia. Possui uma população de aproximadamente 250 mil pessoas, que dobra no seu curto e ameno verão, com o intenso fluxo de turistas.
Sendo uma cidade rodeada por sete montanhas, o que lhe confere uma aparência encantadora e bela, estas montanhas também fazem dela a cidade mais chuvosa da Europa. São pelo menos 300 dias de chuva por ano.
Nossa chegada em Bergen foi marcada por uma insurreição do grupo que não aprovou a escolha do hotel antigo e com quartos acarpetados cheirando a mofo. Poucos apartamentos tinham piso de madeira e não foram suficientes para acomodar as pessoas alérgicas. Além do mais, se alguém do grupo tivesse entrado no quarto e pelo menos se sentado na cama, já era motivo para ter a troca de quarto negada, ao argumento de que o hóspede já havia usado o apartamento a ele destinado. Imaginem a confusão que se armou.
Era tarde quando tudo se acalmou. Algumas pessoas do grupo sairam para procurar um local onde pudessem comer alguma coisa. Os primeiros que saíram até conseguiram encontrar  restaurante aberto, mas os últimos, onde eu me incluo, não tiveram escolha e só encontraram aberto um Mac Donald.
A escolha dos lanches foi acompanhada de situações bastante cômicas. Muitos não sabiam falar inglês e alguns insistiam em falar português, pausadamente, acreditando que desta forma o vendedor iria entender o que estavam falando. Era hilário.
Quando me dei conta, a balbúrdia estava formada. Todos falavam ao mesmo tempo e em português com um pobre atendente que só falava norueguês e inglês.
Olhando a cara de desespero do vendedor, que estava a beira de um ataque de nervos, tentei ajudar com os pedidos traduzindo o que cada um queria mas, bastou o coitado do atendente comerçar a entregar os lanches para que o pandemônio voltasse a se instalar no ambiente.
Lá do fundo da lanchonete onde eu estava sentada, ouvi alguém falar em alto e bom português: mo ço, eu só pos so to mar co ca ze ro. Es ta co ca é ze ro? Vo cê tem cer te za que es ta co ca é ze ro? E o rapaz retrucou de volta em alto e bom inglês: what????
Se não fosse trágico, até que seria cômico...

Viagem de Oslo a Bergen

Saímos de Oslo numa manhã chuvosa, em direção a Bergen, depois do café da manhã no restaurante que rescendia a salmão e outros tipos de peixe. Eu tinha a impressão de que qualquer alimento que escolhia para comer no café tinha gosto de peixe, tamanha a variedade da iguaria servida de todas as formas possíveis no café da manhã, que impregnava todas as outras comidas com seu cheiro forte.

Antes de entrarmos no ônibus fui correndo até o mercadinho que ficava próximo do hotel para comprar água porque descobri uma bela promoção daquele líquido precioso, mas muito caro naquelas paragens. Outras pessoas gostaram da idéia e também compraram duas garrafas por 30 coroas, quando o normal era pagar de 26 a 28 coroas por apenas uma garrafinha quando comprada no mercado, porque no hotel a mesma garrafa custava mais de 40 coroas.

Nosso percurso incluía a cidade de Geilo, mas ninguém a conheceu de perto, pois apenas passamos de ônibus pela estrada que dá acesso a ela. Coisas de excursão que costuma enfeitar o galo para fazê-lo parecer pavão... O engraçado é que a Neusa até havia separado algumas notícias sobre o que poderia ser feito na cidade, o que nos fez dar boas gargalhadas.

No caminho pudemos ver que uma espessa camada de gelo ainda cobria de branco grandes extensões nas montanhas, embora estivessemos  em pleno verão. Fiquei imaginando aquilo no inverno... 

Estava programada  uma parada para conhecermos a catarata de Voring, com uma queda d’água de 182m. Fiquei imaginando a beleza de uma queda d’água naquela altura.

Depois de algumas horas viajando paramos num grande estacionamento, de frente para uma enorme montanha coberta por uma vegetação intocada. Todos os passageiros, para variar, correram para as lojinhas que vendem buginir (uma mistura de bugiganga com souvenir) e eu fiquei ali parada no estacionamento procurando a catarata, mas tudo o que eu via na minha frente era um ridículo filete de água escorrendo na montanha. Falei com o guia Agostinho e ele disse que aquilo era Voring e eu custei a acreditar que viajara tantas horas para ver aquilo. Me senti enganada e muito frustrada, e fiquei andando de um lado para o outro no estacionamento até que tropecei no motorista do ônibus e comentei com ele minha decepção por causa da catarata. Foi minha sorte.

O Avelino, um espanhol muito simpático e prestativo, olhou para mim espantado e disse: - mas isto não é Voring. A catarata fica um pouco mais abaixo. Venha comigo.

Segui o Avelino por uma calçada rodeada de plantinhas rasteiras e fomos descendo mais ou menos uns 300m e numa curva estratégica a catarata de Voring caía com uma força espantosa lá no fundo do precipício, fazendo subir uma nuvem de minúsculas gotículas d’água. Lindos arcos-íris bailavam sobre o riacho que se formava lá embaixo. Fiquei encantada, fiz várias fotografias e voltei correndo nas lojinhas para chamar o pessoal, para que pudessem ver de perto aquela beleza de queda d’água. Todos que viram ficaram encantados com aquele espetáculo ruidoso da natureza.

Seguimos viagem até o Fiorde de Hardanger onde paramos para almoçar. A comida era muito ruim mas, como não tínhamos outra opção, o jeito foi encarar aquela comida feia e ruim para não ficarmos com muita fome até nossa chegada em Bergen. Enquanto esperávamos a chegada do nosso barco aproveitamos para gastar as moedas que pesavam na bolsa tomando vários picolés que ajudavam a aplacar o calor.

Depois do almoço fizemos um passeio de barco pelo fiorde, o que encantou a todos. A paisagem era de tirar o fôlego. Enormes escarpas de granito rasgadas há milhares de anos pelo peso do gelo, emolduravam aquele sereno espelho de água do mar que invadiu a fenda profunda que dividiu a montanha em dois pedaços distantes um do outro. Uma floresta de pinheiros ocupava cada pedacinho de terra que ficava a mostra, deixando tudo verde. O silêncio era quebrado apenas pelo ruído do motor do barco que cingrava aquelas águas plácidas e serenas.

Terminado o passeio de barco voltamos para o ônibus e continuamos nossa viagem. A chuva voltou a cair mais forte do que antes, e atrapalhou nossa parada na cascata de Steindal Norheimsund. Olhamos a cascata  apenas de longe e continuamos a viagem até Bergen onde chegamos cansados da longa viagem.

Ponto para mim, continuo vencendo o câncer

Tenho mais um motivo para comemorar: as tomografias computadorizadas do tórax e abdômen total, que fiz após minha incrível viagem pela Escandinávia e Rússia, trouxeram resultados muito animadores. Estou cada dia melhor, pois houve redução dos vários nódulos no baço, no peritônio, no pulmão e em outros órgãos. Os nódulos do mediastino sumiram e o que apertava o nervo e alterava minha voz também sumiu. Meu fígado, rins, adrenais e pâncreas continuam preservados e isto é melhor do que bom, é ótimo. Excelente. Isto significa que o tratamento com o tykerb e o anastrozol está dando certo e eu estou caminhando para ficar cada dia mais curada. Nossa! Isto é bom demais. Tenho muitos motivos para me sentir feliz e quero dividir isto com todos vocês que acompanham minha saga em busca da cura do câncer há tantos anos.
Durante a viagem de três semanas pude perceber que as coisas estavam muito bem comigo porque não senti nada além de uma infame dor nas costas que jamais atribuí a qualquer problema relacionado ao câncer. Tenho certeza de que a dor é muscular e pode estar ligada a algum mal jeito ou coisa parecida, pois é só começar a caminhar que ela piora enormemente. No mais,  passei muitíssimo bem durante toda a viagem que foi um bocado puxada.
Tenho certeza de que levar uma vida mais próxima do normal possível ajuda muitíssimo no tratamento. Procuro me manter sempre em atividade. Faço tudo o que sou capaz de fazer, dentro das minhas limitações e procuro não me sentir infeliz com aquilo que não sou mais capaz de executar. Só agora, depois de mais de quatro anos, voltei a conseguir  dirigir. Fiquei todo este tempo  sem tocar no carro porque a neuropatia periférica que tirou a sensibilidade de minhas mãos e pés não me permitiam sentir os pedais e era impossível dirigir. Depois foi o problema da síndrome pés e mãos provocada pelo xeloda. Deus me livre daquele remédio, pois ele acaba com os pés e as mãos dos pacientes. Só quem toma o xeloda, ou já tomou sabe bem do que estou falando.
Outra coisa que ficou comprometida por algum tempo foi escrever ou digitar qualquer tipo de teclado, fosse um simples telefone celular ou computador. Eu simplesmente não sentia a ponta dos dedos e  não conseguia sentir os objetos, teclar ou segurar uma caneta. Estas simples atividades  eram  tarefa quase impossível. Depois de muito tratamento e remédios, e muita insistência da minha parte, melhorei e hoje já faço tudo isto, embora ainda não sinta completamente a pontinha dos dedos.
Houve um tempo em que perdi minha voz e isto foi muito complicado para mim. É impressionante como a falta da voz ou até mesmo a mudança no timbre faz diferença na percepção que temos de nós mesmos. Me incomodou muito falar quase sussurrando e rouca. Minha voz atual não é mais a mesma de antes, mas já melhorou muito. Sei que não terei mais a voz de soprano que me permitia cantar em coral, mas só de voltar a falar num tom que todos ouvem já é um grande negócio. Até já arrisco cantar um pouquinho, só não consigo alcançar notas altas e fico rouca em pouco tempo, mas não resisto e canto assim mesmo, pois adoro cantar.
Concluí que se eu quero mesmo ficar curada preciso continuar sentindo entusiasmo pela vida, preciso continuar curtindo as coisas que me dão prazer, amando e me sentindo amada, sendo feliz. É claro que a felicidade não é um sentimento duradouro ou linear. A felicidade é a soma de momentos felizes e cabe a nós procurar por estes momentos nas pequenas coisas que fazem a diferença em nossas vidas.

Felicidade é mais simples do que pensamos. Felicidade é um estado de espírito e está em coisas pequenas, no aqui e no agora. Felicidade pode ser simplesmente  dar ou ganhar um beijinho estalado daquele filho amado, do namorado, do cônjuge ou de um amigo especial. É ouvir uma música que nos transporta no tempo e no espaço. É assistir um espetáculo maravilhoso, ou ouvir seu cantor preferido. É cultivar um jardim cheio de margaridas ou flores exóticas, é ler um livro envolvente, é tirar um cochilo na sombra de uma árvore frondosa, é brincar de enxergar figuras nas nuvens daquele céu azul de verão, é viajar pelo mundo.  Felicidade é qualquer coisa que faz você sentir vontade de continuar vivendo, mesmo com todas as adversidades.

Flexibilidade de deixar qualquer contorcionista com inveja

Recebi este video por e.mail e fiquei tão impressionada com a flexibilidade destas três irmãs que resolvi dividir com vocês. Tenho certeza de que todos que assistirem ficarão impressionados, pois elas desafiam a gravidade e não parecem ter estrutura óssea. É incrível, maravilhoso, surreal.

IRMÃS ROSS 1.944.
Fantásticas, famosas na época.

Um vídeo de 1944, foi recuperado, digitalizado e colorido. Nesta clássica coreografia do filme "Broadway Rhythm", as assim chamadas The Ross Sisters, Aggie, Maggie e Elmira, cantam e movimentam-se de uma forma que não parece ser humanamente possível. Nos primeiros 45 segundos elas cantam. Mas o que vem a seguir é impressionante. Confira e guarde. Uma relíquia do mundo da cinematografia que está preservado.
http://sorisomail.com/email/34321/a-flexibilidade-das-irmas-ross.html

Bonsai de Castanha do Pará

Hoje pela manhã, depois que saí do laboratório onde fui fazer o exame de sangue para fazer o zometa, resolvi passar na floricultura onde pretendia comprar mudas de temperos, e olha só o que encontrei!

Este lindo bonsai de castanheira. Achei o bonsai tão lindo que não resisti e me dei de presente. Confesso que fiquei na maior dúvida se comprava a castanheira, a acerola, o cajueiro ou o jambeiro. Todos eram lindos, o cajueiro até já deu fruto e a acerola também, mas acabei comprando o bonsai de castanha do pará. Será que vai mesmo dar frutos?
Pesquisei na internet e já conclui que minha linda castanheira será estéril, pois elas só frutificam em florestas virgens, o que não é o caso do meu bonsai, e dependem exclusivamente de uma espécie de abelha conhecida como grande-abelha-da-orquídea. Sem orquídea e sem abelha, adeus frutos da minha linda castanheira. Mas tudo bem, vou continuar achando minha castanheira linda, mesmo sendo estéril.

Entardecer em Moscou

Praça Vermelha - Moscou - Rússia


A Praça Vermelha tem este nome não porque os prédios que a compõem sejam de cor  vermelha, mas sim porque,  para os russos, vermelho significa  bonito.

No lado esquerdo da foto está  o Mausoléu do Lenin e a direita o Shopping Gum. Muito curioso para uma turista como eu  ver o símbolo do socialismo olhando de frente para o símbolo do capitalismo selvagem. Quanta ironia... Para piorar,  Moscou é considerada, de acordo com a guia local, uma das cidades mais caras da europa. Eu senti isto no bolso. Não tive coragem de comprar nada que não fosse absolutamente necessário (água e comida). Minto, fiz questão de aproveitar os teatros e passeios, e  os museus, afinal eu estava lá para conhecer a cidade, mas paguei bem caro por cada uma destas atrações e estava tudo lotado, cheio de turistas de todos os lugares do mundo.  Como as coisas  mudaram...

Pensando bem, nenhum regime totalitário pode dar certo. A liberdade é nosso maior patrimônio. É muita pretensão de um homem, um partido, um governo, querer impor a um povo,  a força e a custa de muito sofrimento, medo e repressão, seu pensamento, seu desejo, sua vocação para a ditadura. Pode até dar certo por algum tempo, mas não funciona "ad eternum".

A Rússia parece ter saído de um extremo para o outro... Fiquei impressionada com o que vi no trajeto do trem que liga São Petesburgo a Moscou. Vi muitos lugarejos isolados, no meio do mato, com casinhas miseráveis cobertas com telhados de zinco. Aquilo deve ser enregelante no inverno e uma estufa no verão.


Em  Moscou, cidade com mais de 12 milhões de habitantes, minha primeira visão  foi a  de  um gigantesco engarrafamento. Nosso ônibus custou a vencer o trânsito no percurso entre a estação ferroviária e o hotel no centro da cidade. Não foi preciso muito tempo para perceber que qualquer dia da semana e a qualquer hora é preciso muita paciência para vencer o engarrafamento que deixa a cidade quase parada. Na saída do hotel para o aeroporto, em pleno sábado a tarde,  a impressão que tive era de que jamais chegaríamos em tempo para o embarque, tamanho era  o engarrafamento que deixava o trânsito parado. Dentro do aeroporto, já  no estacionamento, tudo era caótico. Guardas apitando, gente gritando, uma verdadeira confusão. Não gostaria de morar numa cidade como aquela.