Um giro em Portugal - Guimarães, Braga e Póvoa do Varzim

     Acordamos cedo, tomamos nosso delicioso café da manhã numa confeitaria e seguimos em direção a Guimarães, cidade considerada como sendo o Berço da Nação Portuguesa, pois foi lá que em 1109 nasceu D. Afonso Henrique, o primeiro rei do país. Guimarães é uma simpática cidade do município de Braga, ao norte de Portugal. Suas ruelas medievais, suas praças bem conservadas e seu imponente castelo que domina a vista, deixam a cidade encantadora. A enorme muralha do castelo se destaca na paisagem.
     Enquanto caminhávamos pelo centro vimos muitas crianças em idade pré-escolar, fantasiadas para o carnaval, se divertindo nas praças. Uma graça. 
     Fomos conhecer primeiro o castelo, que fica na parte alta da cidade. Em frente fica a igreja São Miguel do Castelo. Tumbas dos heróis da reconquista formam o piso da igreja. Reza a lenda que D. Afonso teria sido batizado naquela igreja. Ali perto também está o Paço dos Duques de Bragança, construído em 1420.
     Depois fomos passear pelo centro histórico da cidade, considerado patrimônio cultural da humanidade, e de lá seguimos para Braga, cidade onde nasceu o avó do Nelson, pai do Henrique. Ele queria muito conhecer a cidade de seus ancestrais.
     Braga é uma cidade grande, a terceira maior do país. Com suas mais de 30 igrejas, é considerada a Roma portuguesa. É lá que fica a igreja mais antiga do país, construída em 1070, e local dos túmulos de D. Henrique e Dona Teresa, pais de D. Afonso Henrique.
    Já no final da tarde seguimos em direção a Póvoa do Varzim, cidade onde nasceu Eça de Queiroz. Chegamos a tempo de assistir o espetáculo do por do sol na beira da praia. Lindo de apreciar, apesar do vento que não parou de soprar, fazendo gelar até os ossos.
     Voltamos para o Porto com noite fechada, cansados mas felizes com tudo o que havíamos feito até ali. 

Um giro em Portugal - Porto

     Minha filha resolveu, junto com o marido, tirar um ano sabático. Convidou-me para acompanhá-los no início da jornada que começou em Portugal. Ao todo éramos 7 pessoas: eu, a Bárbara e o Henrique, seus pais, a Suzi e a Raissa.
         A Raissa estava muito ansiosa,  pois era sua primeira viagem a Europa. A Suzi, coitada, foi escolhida para ser revistada depois que fez a imigração. Teve que tirar o tênis, foi apalpada por todo lado e teve a mala de mão revirada pelo avesso (ainda bem que não foi a Raissa porque senão ela teria entrado em pânico). Não entendi o critério que eles usam para fazer a abordagem. Acho que é aleatório, sei lá. É no mínimo constrangedor.


        Saímos de Brasília para o Porto, com escala em Lisboa, no dia 22 de fevereiro. Funcionários da Europcar nos aguardavam no aeroporto para pegarmos o carro que havíamos alugado pela internet. Era uma van que mais parecia um microônibus de tão grande, e aí começou nossa aventura. No centro da cidade, onde ficamos hospedados, algumas ruas eram tão estreitas que dava a impressão que mal cabia um carrinho de pipoca e lá ia o pobre do Henrique dirigindo aquele monstro azul. Eu fechava os olhos de agonia, mas nosso motorista foi perito e conseguiu vencer todos os obstáculos com maestria. Ufa!

nosso quase ônibus

         Depois de descer a rua onde ficava nosso hotel, pelo menos duas vezes, sem conseguir estacionar, encontramos um estacionamento privado relativamente próximo do hotel e finalmente paramos numa vaga que nos obrigou a descer uma rampa super inclinada e curva. Deus me livre, mas eu não dirigia aquela van por nada nesse mundo. Haja sangue frio.
         Saímos arrastando as malas rua acima até o hotel. Ainda bem que eram poucas malas porque tivemos o bom senso de usar uma mala média para cada duas pessoas, e isto facilitou muito as coisas. O hotel foi uma surpresa agradável: os quartos eram enormes e muito confortáveis. Tinha até uma sala com cozinha americana e uma varanda (um pouco inútil por causa do vento e do frio). Tudo novinho em folha e uma graça. Valeu a pena a hospedagem no BO Almada. Recomendo.
         Assim que fizemos o check in saímos para almoçar. Optamos por um dos restaurante à beira do Douro e acertamos em cheio, pois a comida estava deliciosa, acompanhada de um bom vinho e até uma boa música que era executada por uma dupla que tocava bem em frente onde estávamos. Para melhorar,  a conta ficou muito abaixo do que havíamos previsto gastar por refeição durante a viagem. Um ótimo começo.
      Passeamos um pouco por ali  e então resolvemos atravessar a Ponte Luiz I, inaugurada em 1886, em direção a Vila Nova de Gaia, onde ficam as famosas vinícolas portuguesas. Optamos por conhecer a vinícola Cálem, que funciona desde 1859. Ouvimos atentos a explicação do guia sobre como são fabricados os famosos vinhos do porto e ao final degustamos dois saborosos vinhos portugueses.
     Passeamos um pouco por lá e como a noite caia depressa voltamos para o hotel. Estávamos cansados da viagem e tudo o que queríamos era dormir para começar cedo a aventura do dia seguinte.

3º ciclo de Halaven

     Cada ciclo de 21 dias do Halaven é dividido em duas doses ministradas nas duas primeiras semanas do ciclo. No meu caso faço a primeira dose numa quarta-feira, a segunda dose na quarta-feira seguinte e tenho uma folga na outra quarta-feira. Ontem fiz a primeira dose do terceiro ciclo e na próxima quarta farei a segunda.
     Tenho tolerado bem o novo protocolo apesar da fadiga, do cansaço, do aumento da neuropatia e da queda da imunidade, mas fazem parte do jogo. Só quero e estou contando é com a eficácia do remédio que promete, no mínimo, impedir o avanço da doença. Vou conferir se está realmente funcionando quando eu fizer o próximo PET em março, depois que eu já tiver feito 12 doses da nova medicação.
     Tenho aproveitado meu recolhimento em casa, porque tenho evitado sair para lugares mais cheios e fechados por causa da baixa imunidade, para ler mais. Adoro ler. Viajo nas histórias. Comecei ler a série dos Reis Malditos que é a história dos reis da França, desde o período medieval. Como o livro é muito velho e, apesar de usar máscara, acabo espirrando bastante, estou lendo mais devagar. Nos intervalos leio outros e ontem comecei a ler Gravidade, de Tess Gerritsen. Ave, que agonia, tudo que pode dar errado está acontecendo na história. Vamos ver como tudo acabará.

2º ciclo do Halaven - queda do cabelo

     Ontem fiz o terceiro ciclo do halaven. Eu não quis saber antecipadamente sobre os efeitos colaterais da nova medicação para não correr o risco de ficar sugestionada e começar a sentir coisas desnecessariamente. Prefiro ir observando as reações do meu corpo por mim mesma e a primeira que se fez sentir, logo depois do primeiro ciclo, foi a queda de cabelo.

     Tenho muito cabelo e, apesar de curto, via fiapos caídos por todos os lados: nas minhas roupas, na minha cama, no box do banheiro... Acho sinceramente que pior do que ficar careca é ver o cabelo caindo sem parar, emporcalhando tudo a minha volta.

     Ontem, antes de começar a quimio, perguntei para minha médica se a queda do cabelo era um dos efeitos colaterais da nova medicação e ela confirmou. Fiz o terceiro ciclo e fui para casa almoçar e então, a gota d'água para eu tolerar a queda de cabelo com a paciência de um Jó, foi ver um tufo de cabelos caindo no prato que eu estava comendo. Decidi naquele momento que iria passar máquina zero e cortar tudo de uma só vez.

     Lido bem com minha careca e isto não me faz sofrer então, raspar tudo, não é nenhum problema para mim. Minha filha ainda brincou enquanto passava a máquina e foi fotografando o processo. Primeiro ela fez um moicano e por último passou a máquina zero deixando somente um toquinho que passará quase desapercebido quando cair.

     Aprendi a lidar com as limitações que a doença me impõe, sem fazer disso um problema maior do que o necessário. Prefiro ser feliz com o que tenho nas mãos e desapegar daquilo que não posso mais ter. Por exemplo: sempre amei usar sapatos altos e elegantes, mas depois que quebrei o pé e a fratura nunca mais consolidou devidamente e eu não posso fazer cirurgia por causa dos remédios que uso acabou a festa com sapatos altos, agora só posso usar botinão e tive que me adaptar. Criei um novo estilo para mim.  Quando uso vestido e botinão me sinto a própria Minnei Mouse. Ridícula, mas fazer o quê?

Um giro em Foz do Iguaçu - Cataratas do lado Argentino

     A fronteira do Brasil com a Argentina estava bastante concorrida e levamos um tempinho para atravessar.   Nosso ônibus estava cheio e todos pareciam ansiosos para ver de perto a famosa Garganta do Diabo, eu inclusive, e como o tempo estava bom e o sol dava o ar de sua graça, depois de muita chuva desde nossa chegada, o passeio prometia.


     Fizemos uma trilha até uma estação de trem mas, como o trem havia acabado de partir, fizemos outra trilha um pouco mais longa, de pouco mais de 1000m,  até a Estação Cataratas. Aguardamos um pouco e logo chegou outro trem que nos deixou perto da saída da trilha com acesso a Garganta do Diabo. Tudo muito bem estruturado, com passarelas construídas sobre o Rio Iguaçu, e em condições até para cadeirantes desfrutarem o passeio. Olha que legal!







     Quase todo o trajeto pode ser feito na sombra, sob a copa das árvores. É uma caminhada longa, mas vale muito a pena porque as cataratas são um espetáculo que só dá para entender vendo de perto, sentindo as gotículas da água das quedas, que sobem e pulverizam tudo ao redor como um spray gigantesco, molhando  todos os turistas maravilhados com aquele espetáculo da natureza quase selvagem. Fica até difícil fotografar, mas a visão daquele volume d'água caindo com estrondo e desaparecendo num buraco sem fundo é de tirar o fôlego.




Olha só o spray gigante que mencionei acima

     Ficamos um bom tempo curtindo a beleza das cataratas, ouvindo o rugido daquele volume d'água gigantesco, aumentado pelas chuvas dos últimos dias, e acobreado pela ação do assoreamento, culpa da ação do homem que destrói a proteção das árvores nas beiras dos rios.


     Quando aquela nuvem fininha sobe daquele buraco profundo e é carregada pelo vento até as passarelas onde ficam os turistas é uma festa. Todos tentam se abrigar sob suas capas de plástico, seus guarda-chuvas e não adianta quase nada, mas vale a pena ficar encharcado. É uma visão única. Emocionante.


     Voltamos pela mesmíssima trilha, pegamos o trem novamente e paramos num espaço com restaurante e lanchonete. Depois do almoço (ou lanche para quem preferir)  fazemos outra trilha, desta vez mais acidentada e cheia de degraus, muitos degraus.


     São duas trilhas: uma mais longa, com mais de 2 km e com uma visão muito mais bonita, chamada circuito inferior, e outra mais curta, de aproximadamente 700 m. No final do circuito você fica quase embaixo da queda d'água e se molha todo, mas é incrível. Lindo demais! Não consegui fotografar com tanta água espirrando para todos os lados. Fiquei ensopada, mas faria tudo novamente só para ter aquela visão fantástica de belezas que só a natureza é capaz de proporcionar.



Um giro em Foz do Iguaçu - Parque das Aves

     Pela manhã visitamos a Usina de Itaipu e depois do almoço fomos conhecer o Parque das Aves,  criado em 1994 pelo casal Dennis e Anna Croukamp, em um espaço de 16 hectares de floresta subtropical, próximo ao Parque Nacional do Iguaçu e das cataratas.


     Anna, que é médica veterinária, foi quem definiu o espaço ideal para construção dos viveiros no parque e as trilhas na mata que os ligam. A construção do parque foi um trabalho árduo porque foi necessário remover do terreno todo tipo de detrito e também toda espécie invasora e plantar centenas de árvores nativas. Assim começou a tomar forma o parque como o conhecemos hoje.


     As primeira aves a chegar ao parque foram doações ou empréstimos de zoológicos brasileiros, e também animais confiscados enviados pelo Ibama. Hoje o parque conta com mais de 1000 aves de mais de 130 espécies.


     O Parque das Aves, que hoje funciona também como instituição de pesquisa e conservação, toca vários projetos voltados para conservação de aves ameaçadas de extinção. Exemplo disto é o projeto que visa reintroduzir na região de Foz do Iguaçu a arara-vermelha-grande que está extinta na região e cada vez mais rara no Paraná.


     Outro projeto interessante é o Projeto Tucano, uma das aves mais caçadas e traficadas no país. O parque é um lar para tucanos feridos, debilitados e vítimas de maus tratos. O Parque das Aves abriga o maior plantel de tucanos em exibição no mundo. 


     A equipe do parque conseguiu desenvolver uma dieta especial para manter uma alimentação saudável para os tucanos que são muito sensíveis ao excesso de ferro na dieta. Eles também conseguiram a reprodução da espécie em cativeiro. Aliás, tivemos a oportunidade de ver vários filhotes que eram muito fofos, com seus bicos enormes.


     Conhecemos vários viveiros que abrigam pássaros vítimas de maus tratos, sem condições de viver em liberdade porque estão mutilados ou foram criados em gaiolas tão pequenas e nunca aprenderam a voar. Vi, por exemplo, um tipo de papagaio que estava sem penas no pescoço e que na tentativa de mudar de galho para comer acabou caindo no chão. Perguntei a cuidadora se era um filhote e ela me explicou que não. Ele era de porte pequeno e tinha sido vítima de traficantes que arrancaram suas penas do pescoço para vendê-lo como filhote. Uma judiaria. O ser humano é podre.


      O parque também conta com um borboletário. Várias espécies de borboletas em suas várias etapas de crescimento estão lá. A Bárbara, minha filha, teve coragem, para minha surpresa, de pegar uma enorme lagarta na mão. Esta lagarta dá origem a uma borboleta azul linda, mas só consegui fotografá-la de asas fechadas, mas mesmo assim ela é bonita demais.



     Também tivemos a oportunidade de nos aproximar de uma cobra linda. Ela ainda é jovem e costuma comer 4 ratos a cada 15 dias. Achei bem pouca comida para uma cobra tão grande, mas foi o que o funcionário nos informou.


     O Parque da Aves desenvolve um belíssimo trabalho de reabilitação de animais vítimas de maus tratos e traficados. Aqueles em condições são devolvidos a natureza, os demais são mantidos no parque em ambientes que proporcionam conforto e proteção. Vale a pena uma visita.

Um giro em Foz do Iguaçu - Itaipu Binacional

     Acordamos cedo para o passeio na Usina de Itaipu. Inicialmente assistimos a apresentação de um filme, no Centro de Visitantes, contando a história da construção da usina, e em seguida fizemos o passeio de ônibus que leva os turistas a dois mirantes de observação. Desses pontos de observação o turista tem uma ampla visão da usina e do imenso parque que a cerca. O passeio termina quando o ônibus passa sobre a barragem que tem uma altura de 196m e 15m de espessura na base, de puro concreto.


     Das curiosidades que ouvimos sobre a usina, uma que chamou a atenção foi saber que a vazão máxima do seu vertedouro é 40 vezes superior a vazão média das cataratas do Iguaçu (1500 metros cúbicos por segundo) que já deixa qualquer um impressionado. Pensar que Itaipu consegue ser 40 vezes superior ao volume de água que vimos caindo nas cataratas impressiona qualquer pessoa. Tudo na usina é monumental.

   
     A Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional (Brasil e Paraguai) é uma das maiores obras de engenharia moderna e é a maior hidroelétrica em produção do mundo.




     Existem vários tipos de passeio na usina, e o que fizemos foi o tour panorâmico. Os outros passeios são o circuito especial, o refúgio biológico, e o Ecomuseu dentre outros.
       Dos vários bosques cheios de árvores jovens e adultas, que circundam a usina, ficamos sabendo que o funcionário que completa 15 anos de trabalho na usina planta uma árvore que recebe uma plaquinha com seu nome. Olha só que legal!