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A Grande Beleza

       Tanto falaram que fui assistir o premiado filme A Grande Beleza, dirigido por Paolo Sorrentino. A sala de cinema estava tão lotada que eu e minha amiga tivemos que ocupar as duas últimas cadeiras que ainda estavam vazias, só que em filas separadas (ainda bem que era no fundão e não nas cadeiras da frente). Cheguei a pensar: o filme deve ser bom mesmo, mas confesso que não consegui fazer coro com aqueles que acharam o filme incrível, maravilhoso e outros adjetivos cheios de elogios.
           Tudo bem concordo que a temática até prometia, afinal é a história de um escritor que aos 65 anos resolve fazer uma reflexão sobre sua vida, mas achei o desenrolar da história longo e muito cansativo. Em alguns momentos torci para o filme acabar logo. As cenas, pelo menos para mim, deixaram a impressão de que tinham começo mas não se desenvolviam. As reflexões ao longo do filme são contemporâneas eu concordo, mas são arrastadas... A fotografia, a música e os irônicos e ácidos diálogos de Jap Gambardella merecem destaque, mas é só.
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O tempero da vida

           Ontem assisti  com a Suzi,  que precisava fazer uma resenha para o curso de gastronomia, o filme “O tempero da Vida”, dirigido por Tassos Boulmetis. Eu já tinha assistido este filme há alguns anos e me lembro que foi aí que despertou em mim o interesse pelos segredos e sabores dos temperos e condimentos.
           Aproveitei um pouco do texto da resenha que ela precisou fazer,  para comentar o filme aqui no blog. Aliás, falando em resenha, a Suzi (e acho que a maioria das pessoas que decidem fazer gastronomia) nunca imaginou que fosse necessário fazer tantos trabalhos. Ela estava crente que só ia trabalhar na cozinha aprendendo os segredos da alta culinária... errou redondo. É trabalho que não acaba mais.
          Mas voltando ao filme, o diretor parece ter se baseado em sua própria história  de vida pois, como o protagonista Fanis, ele também  nasceu e  viveu  em Istambul até ser deportado para a Grécia com a família, por causa dos conflitos ocorridos na Ilha de Chipre.
          As cenas do filme enchem a tela da TV com mesas repletas de pratos da culinária grega/turca,  que chegam a  dar água na boca. São comidas preparadas com condimentos e especiarias que, numa perfeita alquimia, conseguem despertar as emoções das pessoas.
            Mesclando  cenas do passado e do presente, o filme nos conta a história de Fanis e sua família que viviam em Istambul, na Turquia, e foram deportados para a Grécia em 1959. Em Istambul ficaram seu avô e seu primeiro amor de infância.
            Fanis já adulto, professor de astrofísica em Atenas, está preparando uma refeição para seu avô quando recebe a notícia de que ele está muito mal e internado em um hospital de Istambul.  A partir daí começam suas lembranças do passado.
           Suas memórias voltam para o tempo em que era apenas um garoto que vivia no meio dos temperos e condimentos na loja de seu avô em Istambul. Está sempre atento nas conversas dos adultos  sobre os segredos dos temperos e dos ingredientes que despertam os sentidos, muito mais do que somente o paladar. O avô é quem lhe ensina as tradições familiares e os segredos da culinária. Ele também ajuda o menino estudar utilizando condimentos para dar suas explicações.
            Fanis ainda garoto descobriu sua paixão pela culinária e costumava preparar refeições para a família. Ele ensina alguns segredos culinários para a amiga, que é seu primeiro amor de infância, e a menina, em retribuição, dança para ele.
             Quando sua família é deportada a menina vai se despedir dele na estação e lhe dá de presente uma maleta que ela usava para preparar comidinhas. Ele parte para Atenas e usa a maleta que ganhou de presente para preparar comidas para as meninas da escola onde estudava, até o dia que o proibiram de cozinhar.
           Fanis cresceu na Grécia longe do avô,  mas nunca se esqueceu dele e de seus ensinamentos. Ele só  retorna a Istambul quando o avó adoece  e após o funeral ele também revê seu primeiro grande amor e tenta uma reaproximação.
            O Tempero da Vida é um filme que usa a culinária e as  especiarias como metáforas para nos falar sobre a vida, os relacionamentos, a saudade, o amor e sobre nossas escolhas.           
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Flor do deserto e a mutilação genital feminina

O filme Flor do deserto é baseado na autobiografia da ex-top model Waris Dirie, e denuncia a prática da mutilação genital feminina, comum em metade dos países africanos.

Waris Dirie nasceu no deserto da Somália em 1965, numa família nômade de pastores de cabras. Aos 5 anos de idade sofreu a destrutiva mutilação genital feminina e por pouco não morreu de infecção. Aos 13 anos fugiu sozinha pelo deserto até chegar na capital Mogadishu onde vivia sua avó, para fugir de um casamento arranjado por seu pai, para ser a quarta esposa de um velho com mais de 60 anos.

Viajou de Mogadishu para Londres, onde viveu durante 6 anos como empregada doméstica de uma tia casada com o embaixador da Somália. Não aprendeu a falar inglês durante os 6 anos de trabalho como doméstica, e foi deixada para trás quando a família retornou à Somália.

Sozinha nas ruas de Londres, sem falar inglês e sem ter onde morar, acabou conhecendo uma jovem vendedora de uma loja de departamentos que se tornou sua amiga e a ajudou a arranjar emprego como faxineira numa loja do Mac Donald’s.

Sua sorte começou a mudar quando o fotógrafo Terence Donovan a viu e se encantou com sua beleza negra. Waris fez um grande sucesso como top-model nos anos 80, e causou grande comoção no mundo quando, no auge de sua carreira, resolveu denunciar a violência da mutilação genital feminina.

O filme mostra a vida de Waris Dirie desde seu nascimento no deserto da Somália até o momento em que ela alcança o sucesso e a fama internacional nas passarelas do mundo fashion, mas tem como objetivo principal denunciar a prática criminosa da mutilação genital.

Existe uma estimativa de que mais de 8000 meninas, entre os 4 e 8 anos de idade, sejam submetidas a esta prática criminosa diariamente e a prática desta violência atualmente já atinge meninas com apenas alguns dias, semanas ou meses de vida.

A mutilação genital feminina é um costume cruel que causa danos irreversíveis, tanto físicos quanto psicológicos mas, pior do que isto, é responsável pela morte de muitas meninas. Esta mutilação pode ser feita usando uma faca, caco de vidro, navalha, lâminas de barbear ou até certas plantas, sem esterelização ou anestesia.

São 3 os tipos de mutilação genital, com gravidades diferentes. O primeiro é o chamado clitoridectomia, e consiste na remoção total ou parcial do clitóris. Outro tipo é a extirpação, quando se retira o clitóris e os pequenos lábios. O último e mais grave é a infibulação, quando cortam e raspam também os grandes lábios e depois costura os dois lados da vulva deixando apenas um pequeno orifício para saída da urina e da menstruação. Para cicatrização, amarram-se as pernas da mulher. Este procedimento provoca estreitamento da abertura vaginal.

No caso da mulher que sofreu infibulação, cada vez que o marido sai em viagem ele realiza a infibulação para garantir a fidelidade da mulher, e quando do seu retorno da viagem ele rasga os pontos novamente.

A falta de antibióticos e instrumentos adequados causa a morte imediata de um terço das meninas submetidas a mutilação genital. Segundo um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde-OMS em 2009, cerca de 92,5 milhões de meninas maiores de 10 anos sofrem as sequelas da mutilação genital feminina.
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A Liberdade é Azul

Uma amiga veio visitar-me ontem, e passou a tarde comigo. Resolvemos assistir um filme e escolhemos A Liberdade é Azul, da trilogia Trois Couleurs: bleu/blanc/rouge, do diretor Krzystof Kieslowski.
A trilogia é baseada nas três cores da bandeira francesa, e nas palavras do lema da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
Kieslowski associa a liberdade com a morte de duas pessoas muito amadas pela protagonista,  e sua abordagem é surpreendente e de uma intensidade sutil e comovente. O filme é de poucas falas, quase silencioso, mas a trilha sonora forte e marcante parece gritar, despertando no expectador sentimentos profundos.
A trama mostra o que o destino pode reservar às pessoas: muita dor e solidão interior. O filme é quase um tratado sobre dor e perda, e o grande peso de ser o sobrevivente de uma tragédia.
Que filme sensacional!
De um modo geral, gosto muito dos filmes europeus e este é um dos mais impactantes que já assisti. Ele é denso, quase palpável e é impossível desgrudar os olhos da tela. O diretor, a fotografia, a música, tudo é perfeito e a interpretação de Juliette Binoche está impecável. Ela consegue transmitir sua dor com uma convicção e uma intensidade impressionantes.
O diretor Kieslowski foi um mestre na condução da trama. A câmera percorre de forma delicada e sutil detalhes aparentemente insignificantes, mas que fazem toda diferença para o expectador sentir o filme e ter a sensação de quase tocar os sentimentos, as emoções e a dor que transformam Julie que  desperta no hospital e fica sabendo que perdeu o marido e a filha do casal num acidente de carro. Ela não chora, mas sua dor é tão contundente que parece palpável.
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Jornada da Alma

Ontem assisti novamente, desta vez com minha filha, o filme Jornada da Alma, do diretor italiano Roberto Faenza.
O filme relata a história de Sabina Spielrein, uma jovem russa de 19 anos, de origem judia, que sofre de histeria, é internada em um Hospital Psiquiátrico em Zurique, na Suiça, e é tratada por Carl Gustav Jung, psicanalista discípulo de Freud à época, que se utiliza de um novo método terapêutico usando a associação de palavras ou associação livre.
Um ano depois esta paciente recebe alta do hospital, mas sem conseguir se desligar de seu médico, acaba se envolvendo com Jung numa paixão arrebatadora. A relação chega ao fim quando Sabina decide que quer ter um filho com o médico. Esse rompimento leva Sabina numa busca de si mesma. Ela estuda medicina, se especializa em psicanálise, se casa, tem filhos e retorna a Russia onde se dedica a psicanálise de crianças e monta uma escola que fica conhecida como Creche Branca.
Sabina, que aderiu a Revolução Russa e enfrentou Stalin, foi executada por soldados nazistas juntamente com a filha, em uma sinagoga de Rostov, sua cidade de origem.
A história de Sabina ficou conhecida quando parte de seu diário foi encontrado na década de setenta. Ela e suas idéias influenciaram a história da psicanálise tanto em Freud, quanto Jung. Existe uma teoria que especula que talvez tenha sido Sabina o real motivo do rompimento entre Freud e Jung, pois Freud sempre soube do envolvimento de seu discípulo com a paciente.
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O Cisne Negro


Ontem fui ao cinema assistir O Cisne Negro. Saí fascinada com o que vi. O filme é denso, e consegue prender nossa atenção do começo até a cena final que é surpreendente.
A história mostra os bastidores do balé classico, um diretor artístico perfeccionista e exigente, a bulimia que persegue as jovens em busca de um corpo ideal para o balé e a luta insana das bailarinas em busca do posto de primeira bailarina. Mostra também a dificuldade de uma profissional aclamada admitir que não dá mais para continuar, que seu tempo de glória é passado.
O drama psicológico vivido por Nina, uma mulher contida e dominada por uma mãe extremamente castradora e controladora, consegue nos tirar o fôlego, e a performance da atriz Natalie Portman está impecável.
Mesmo que os críticos digam o contrário, ela está perfeita no papel da bailarina que encarna a doce e suave cisne branco e a sensual, agressiva, intensa e destruidora cisne negro. O filme é simplesmente bárbaro. Adorei!
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