Sem Título


Os dias se tornaram semanas e mais de um mês se passou sem que eu escrevesse uma linha sequer. Primeiro foi a falta de vontade de escrever, uma indolência provocada por uma tristeza e uma saudade sei lá do quê... Depois, foi por causa de uma fratura na cabeça do rádio do braço direito. Logo o braço direito que não tem gânglios linfáticos. Minha mão e o antebraço ainda estão bem inchados, mas agora já consigo escrever, escovar os cabelos e até escovar os dentes com a mão direita. Parece bobagem, mas não poder usar a mão direita para quem é destra é um deus nos acuda.


Nesse período de silêncio, ou melhor, de falta de textos, muitas coisas aconteceram. Viajei para Fortaleza com o braço na tipóia e fui assaltada enquanto caminhava em plena dez horas da manhã pelo calçadão da praia, num belo domingo de sol e praia cheia, lotada de gente e pivetes disfarçados de cidadãos de bem. Eu estava bem em frente ao quiosque de apoio ao turista e bem próxima da residência do secretário de segurança pública do ceará, que ironia...


O delinquente, um pivete ainda muito jovem, mas já acostumado a prática de assaltos, avançou para cima de mim, toda amarrada numa tipóia quente e fechada, e agarrou meu lindo pescocinho. A ação do bandido foi muito rápida. Num primeiro momento pensei que o pivete estivesse me esfaquiando, pois apenas senti suas mãos agarrando meu pescoço com força para em seguida sair correndo em direção ao mar.


Acredita que a polícia veio ao meu encontro por causa do assalto? Pois é, fiquei impressionada! O policial, muito atencioso, parou a viatura e perguntou se era eu quem havia sido assaltada. Acho que a tipóia e os cabelos brancos ajudaram na identificação... kkkk


Fiz questão de registrar a ocorrência para fins de estatística, pois sabia que recuperar a jóia seria quase impossível. Mesmo assim os policiais foram até o hotel onde eu estava hospedada para informar que haviam prendido vários bandidos na praia e recuperado algumas jóias. Fui com eles até o local da apreensão mas não localizei meu colar que tinha um valor estimativo muito maior do que seu valor comercial.


No final das contas os policiais acabaram me dando uma carona até o restaurante Côco Bambu. Foi muito engraçado desembarcar do camburão da polícia num restaurante arrumadinho e lotado. Imaginem a cara das pessoas na fila aguardando para entrar e tentando imaginar o que estava acontecendo. Acabei me divertindo com a situação.


De volta a Brasília comecei a fazer os exames para conferir a eficiência da quimio. Até agora os exames revelaram que não houve nenhum avanço da doença, está tudo estacionado. Menos mal, mas o que eu esperava mesmo era uma melhora, mesmo que discreta, afinal os efeitos colaterais da medicação fizeram questão de ser bem eficientes.
1 Response
  1. Rafael Says:

    Ser roubado é realmente um saco né tia? Não sei se te contei, mas um pivete também me roubou um dia desses aqui em Brasília. Levou minha bicicleta em pleno Eixão em um domingo a tarde, mas acabei recuperando a bicicleta graças a dois policiais extremamente eficientes que passaram logo depois e conseguiram me ver acenando. Depois de uma perseguição estilo Máquina Mortífera, o moleque foi preso e minha bike recuperada. hehehe. Espero que seu braço desinche (é assim que se escreve? eita palavra complicada. hehehe) e que tudo melhore por aí tia.

    Um beijo do Rafa (ex da Larissa, hehehe, caso você tenha dificuldade em identificar o autor do comentário) =)


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Obrigada pelo comentário. bjs Lou