Conversa com o Mago Merlin durante a radioterapia

Já faz algum tempo que não escrevo nada. É que minha mão direita anda inchando muito e por isto preciso mantê-la para cima o maior tempo possível e, sendo assim, tenho que ficar longe do computador e de qualquer outro movimento repetitivo. Minha mão esquerda voltou ao normal depois que fiz o esvaziamento axilar então, para evitar qualquer problema, é melhor não fazer nada repetitivo com ela também.
Fiz o esvaziamento axilar esquerdo no dia 11 de maio e um mês depois, para minha frustração, já havia um nódulo de um cm fazendo festa na axila. Não tive alternativa que não fosse encarar as 25 aplicações de radioterapia. Já fiz treze aplicações, e ainda preciso fazer mais duas semanas e meia de tratamento.
No dia 14 de junho fiz o PET que evidenciou o aparecimento desse linfonodo na axila, com acentuado aumento de metabolismo. O linfonodo supraclavicular direito está estável e houve redução do metabolismo no linfonodo infraclavicular direito. O linfonodo gástrico, no entanto, deu uma piorada,  e ainda apareceu um retroperitoneal. Ninguém merece.
As lesões no músculo peitoral aumentaram sua atividade metabólica bem como a lesão no esterno. As demais lesões ósseas ficaram estáveis e o restante também.
Parece até uma tragédia, mas o diabo nem está tão feio quanto parece. De um modo geral estou bem e tolerando sem maiores problemas a radioterapia. Minha pele na região da axila está resistindo bravamente ao tratamento, mas também faço uso três vezes ao dia do creme que o hospital recomendou.
Quando entro na sala gelada de radiação procuro relaxar como aprendi com minha psicóloga. Assim que deito na máquina fria fecho os olhos e começo minha viagem para lugares onde me sinto bem. Como gosto muito de mata num instante me vejo na floresta de Broceliande, na Bretanha, conversando animadamente com o Mago Merlin. Andamos pela mata até a Fonte da Juventude e então a mágica acontece. Ao invés de pensar na radiação emitida pela máquina, penetrando meu corpo para destruir as células cancerígenas, prefiro imaginar que Merlin está usando sua varinha mágica para matar de uma vez por todas essas células malignas que insistem invadir meu corpo. É bem mais fácil e divertido brincar de mágica do que pensar na radiação.
A brincadeira com a mágica deve estar funcionando bem porque estou conseguindo fazer o tratamento sem sentir tantos efeitos colaterais como tive nas duas outras experiências com radioterapia.
O tratamento é diário, mas é muito rápido. O tempo gasto da hora que entro na sala e sou preparada para o início do procedimento até a hora de sair deve durar aproximadamente quinze minutos. A radiação propriamente dita é breve e dura entre um e dois minutos no máximo. É o suficiente para a eficácia do tratamento e desde a primeira aplicação já comecei a sentir um discreto desconforto na axila. Nada significativo, apenas um pequeno desconforto até o momento e espero que continue assim até o final.

Início de novo protocolo

     A ideia do tratamento com o herceptin, a carboplatina e o taxol estava me deixando apreensiva, pois já fiz dois ciclos desse protocolo em 2007 e tive uma neurotoxicidade periférica intensa que provocou paresia e parestesia das quatro extremidades. Na mesma ocasião tive paralisia da prega vocal e perdi a voz. Hoje recuperada, minha voz, além de rouca, é muito baixa e, vez por outra, fica quase inaudível.
     Entendi que esse protocolo é top. A rainha das medicações para casos como o meu. Pensei muito e, por fim, optei por não fazer o tratamento proposto pelo Dr. Fernando e iniciei um novo protocolo com o acompanhamento de outra oncologista, a Dra. Daniele Assad.
     Encerrar meu tratamento com o Dr. Fernando e sua equipe não foi fácil, mas depois de muita reflexão, e tomada a decisão de mudar, fiquei bem comigo mesma. Confio na Dra. Daniele, que já fez parte da equipe do Dr. Fernando e que agora faz parte da equipe do Hospital Sirio-Libanês.
     Iniciei o novo protocolo na última sexta-feira. Estou fazendo o herceptin na veia, a cada 21 dias (agora também existe a possibilidade de fazer essa medicação subcutânea). Também estou usando 1 comprimido de ciclofosfamida todos os dias, e dois comprimidos de metrotrexato duas vezes por semana. Uso também o Xgeva subcutâneo a cada 28 dias.
     Considerando que a maior parte do câncer metastático, que havia se espalhado para os gânglios da axila esquerda, foi retirado na cirurgia, e que ainda farei radioterapia nos nódulos remanescentes supraclaviculares e subpeitoral, optamos por deixar o protocolo mais agressivo como uma carta na manga, que poderá ser usado no futuro, se houver necessidade.
     Vamos experimentar essa abordagem nova por dois meses, repetir os exames para ver como meu organismo está respondendo, para decidir o que fazer daí para frente. Estou confiante que dará certo, pois o volume de doença, sem dúvida, diminuiu muito. Não sinto mais dor no braço esquerdo e os marcadores tumorais diminuíram consideravelmente.
     Até agora todas as decisões que tomei em relação ao tratamento foram benéficas para mim, afinal estou sobrevivendo as metástases há dez anos.  Estou sem dor e considero minha qualidade de vida muito boa até agora. É claro que já tive altos e baixos mas, nesse momento, estou bem. A cirurgia foi um sucesso e saber que fiquei livre da maior parte do câncer metastático teve um efeito psicológico muito positivo em mim.

Retirada de pontos cirúrgico e retomada dos ciclos quimioterápicos

     Na última sexta-feira tive consulta com o Dr. Fernando. Ele olhou a área da cirurgia na axila esquerda, disse que a cicatrização está ótima e perguntou-me se está mesmo descartada a ideia de fazer radioterapia. Respondi que por hora sim, mas que estou ciente de que pode ser que seja preciso fazer esse procedimento no futuro (espero sinceramente que isto não seja necessário).
     Ficou acertado que retomarei os ciclos de quimioterapia na próxima sexta-feira, quando completam 15 dias da cirurgia. Ficou também acertado que o novo protocolo será: carboplatina, taxol e herceptin, além do Xgeva. Já fiz dois ciclos com esse protocolo quando iniciei o tratamento há dez anos e, como já fiz todos os protocolos disponíveis para o meu caso, ele achou melhor repetir o tratamento que é o mais indicado para quem é HER2 positivo (a biópsia comprovou que os tumores na axila continuam sendo HER2 positivo). A imuno-histoquímica ficará pronta na próxima semana.
     Ontem fui retirar os pontos cirúrgicos com a Dra. Fátima. Foi tranquilo e indolor. Ela ficou satisfeita ao conferir que não existe acúmulo de líquido no braço que está normal e sem sinal de edema. Acho tão bom ver as ruguinhas em meus dedos e não sentir mais dor. É um verdadeiro alívio.
     A Dra. Fátima também ficou muito satisfeita quando conferiu que já estou conseguindo abrir e levantar completamente o braço operado. Isto é ótimo e assim não será preciso nem mesmo fazer fisioterapia. Agora é cuidar do braço com carinho para que ele continue bem. Para isto procuro mantê-lo elevado o maior tempo possível e evito ficar fazendo qualquer movimento repetitivo.
     Agora, o problema maior é que tenho que tomar o maior cuidado com ambos os braços. Não posso aferir pressão em nenhum deles e muito menos tomar injeção ou retirar sangue. Daqui para frente, aferir pressão arterial, só na perna, e retirar sangue terá que ser feito no pé, onde é bem mais dolorido. Mas, o que não tem remédio remediado está.

    

Cirurgia para retirada de nódulos na axila esquerda

     Entrar na sala gelada de um centro cirúrgico, para um procedimento agendado, é um tanto quanto assustador, por mais que o paciente tenha total confiança em seu médico.
     A Dra. Fátima é minha mastologista desde que tive o câncer primário em 1998 e tenho absoluta certeza de que eu não poderia estar nas mãos de uma cirurgiã mais competente e segura, mas os demais membros da equipe eram totalmente desconhecidos para mim.
     Deitei na maca coberta por lençóis imaculadamente brancos e no mesmo instante senti um calorzinho confortável acariciando meu corpo gelado, me livrando da sensação de estar exposta no ártico. Era uma espécie de aquecedor usado pelo hospital para dar mais conforto ao paciente que não está acostumado com um ambiente tão frio como o de um centro cirúrgico.
     O médico anestesista procurou me deixar bem relaxada brincando comigo. Como não é possível puncionar meu braço direito porque não tenho os gânglios linfáticos eles inicialmente puncionaram minha mão esquerda para iniciar o processo de anestesia. A Dra. Fátima avisou que não seria possível manter o acesso na mão esquerda porque ela iria operar a axila naquele lado então o anestesista avisou que só iria fazer o procedimento para que eu adormecesse antes de puncionar o veia jugular, em meu pescoço. Isto foi feito para evitar o desconforto da punção direta na jugular. Achei melhor assim.
     O anestesista aplicou uma injeção mas não senti sono. Fiquei deitada observando aquelas luzes acima da maca enquanto ouvia a Dra. Fátima discutindo os procedimentos cirúrgicos com a médica auxiliar. Ficou decidido que o tempo necessário para a anestesia seria de duas horas já que a cirurgia estaria concluída em uma hora e meia. O anestesista colocou a máscara em meu rosto e eu apaguei imediatamente.
     Acordei na sala de recuperação sem dor e com o braço e minha mão esquerda com a coloração normal. O inchaço tinha desaparecido como por encanto. Demorou um pouco até eu ser liberada para o quarto.
     Liguei para a Dra. Fátima assim que pude para agradecer o sucesso da cirurgia. O fato de estar com o braço normal, desinchado e sem dor, quando acordei da cirurgia; ver as rugas dos meus dedos no lugar de sempre me deixaram feliz da vida. Ela riu e brincou: você acha mesmo que fiz tudo aquilo para você continuar sentindo dor? Olha, a cirurgia foi muito maior do que previ. Perdi pelo menos um ano da minha vida e, para compensar, você tem que viver no mínimo mais dez anos.
     Isso é a cara da Dra. Fátima Vogt. Ela é ótima! Uma cirurgiã competente, mastologista comprometida com suas pacientes. Uma médica como poucas. Sou sua fã número um.
     Ela me explicou que o comprometimento na axila esquerda era bem maior do que os exames clínicos sugeriam. Foi necessário esvaziar os níveis um e dois para retirar todos os gânglios doentes. Um bloco deles estava comprimindo a artéria do braço causando com isso o inchaço e a dor. Ela limpou tudo e me livrou do problema.
     Tenho que agradecer primeiro a Deus que sempre me protege colocando em minha vida profissionais competentes e comprometidos. Agradecer a Dra. Fátima e a equipe que batalharam mais de três horas na cirurgia e conseguiram resolver meu problema. Agradecer a família e aos amigos que fizeram uma corrente de orações para que tudo desse certo.
     Agora é olhar para frente, aguardar o resultado da imuno-histoquímica para recomeçar a quimioterapia, tocar a vida e ser feliz com o que tenho nas mãos. Sou uma pessoa de sorte e ainda estou dentro do meu prazo de validade, e com qualidade de vida. Olha que legal!

Nódulos na axila esquerda, dedos inchados e mão doendo

     O resultado do último PET indicava que a doença estava sob controle, mas os sintomas me faziam  acreditar que nem tudo estava tão bem assim, mas como contrariar o resultado de um exame tão sofisticado?
     Não demorou muito e meu braço esquerdo começou a doer. Não era nenhuma dor insuportável, mas aquela dor chata que não deixa esquecer que aquele pedaço do corpo existe. Para piorar o quadro, um belo dia minha mão esquerda amanheceu inchada e doendo. A dor era mais forte do que no braço, então procurei o Dr. Fernando para mostrar que alguma coisa não estava funcionando bem.
     Ele me examinou e se mostrou preocupado com o quadro. Pediu que o médico reavaliasse o resultado do PET e suspendeu a quimioterapia para decidir o que fazer dali em diante.
     Depois de discutirem meu caso o Dr. Fernando decidiu que o melhor seria fazer uma mamotomia para ver se houve alguma mutação no tipo de câncer que se espalhou nos gânglios da axila esquerda e também fazer radioterapia na axila.
     Não gostei da ideia da radioterapia porque passei muito mal das outras vezes em que precisei fazer o procedimento na mama e no esterno.
     A Dra. Carol pediu uma ecografia da axila para conferir os nódulos que haviam se espalhado pelo local e ficou comprovado que eram seis nódulos na axila, sendo que o maior media 4 cm, e mais quatro outros nódulos entre a axila esquerda e a mama.
     Procurei minha mastologista, a Dra. Fátima Vogt. Falei que eu não gostaria de fazer radioterapia novamente e queria a opinião dela sobre o assunto. Ela conversou com a Dra. Carol por telefone e depois de discutirmos o assunto demoradamente ficou decidido que eu faria a cirurgia para retirar os nódulos porque, ao que tudo indica, os nódulos podem estar comprimindo a artéria do braço e provocando o inchaço em minha mão. Nesse caso, a radioterapia poderia até piorar o quadro.
     Confio na Dra Fátima e tenho certeza de que ela fará o que for melhor para mim. Afinal ela acompanha meu caso desde que tive o câncer primário em 1998. 
     Foi um corre corre agilizar tudo para que a cirurgia possa ser feita na próxima quinta-feira, afinal já faz um mês que parei de fazer quimioterapia e o Dr. Fernando não quer que eu interrompa o tratamento por muito mais tempo. 
     Lá vou eu para mais uma cirurgia. É o que tenho para o momento. Agora é torcer para que isto resolva o problema, e estou confiando que dará certo. Tenho para mim que ainda estou dentro do meu prazo de validade...



   

Quem sou?

Tenho alma equina,
Sou potranca selvagem correndo livre pelas savanas.
Ora sou líder do bando, ora apenas faço parte da manada.
Sou puro sangue, sou pangaré, sou cavalo baio, sou equina.

Sou ave de rapina.
Sou águia voando sob o céu azul e o sol inclemente.
Sou um falcão peregrino cortando o ar, sou um carcará brasileiro,
Sou coruja ou um frágil colibri.

Sou vegetal.
Sou carvalho frondoso ou um impressionante baobá,
Sou salgueiro chorão deitado a beira do rio,
Sou manacá de cheiro, sou flor,
Sou grama rasteira.

Sou felina.
Sou gata selvagem ou onça pintada,
Sou leoa caçando ou tigresa no cio.
Sou lince correndo,
Sou jaguar, sou gata doméstica dormindo no sofá.

Sou água cristalina escorrendo gelada no curso sinuoso do regato murmurante.
Sou água revolta batendo contra pedras no rio e caindo barulhenta na espetacular cachoeira.
Sou onda que quebra na praia.
Sou gota de chuva ou gota de orvalho.

Sou mineral.
Sou o duro granito,
Sou montanha, sou colina,
Sou areia da praia ou cascalho do rio.

Sou mulher. X mais Y. Masculino e feminino.
Sou feminina, com sutis toques masculinos, sem perder a graça.
Sou mãe protetora, exigente, carinhosa, ciosa de sua cria.
Sou filha preocupada com a mãe agora anciã,
Sou irmã, sou amiga, sou cidadã do mundo.

Para muitos sou a Lourdinha, para outros sou a Lou.
Para poucos sou Maria e para menos ainda sou Maria de Lourdes,
Quem sou eu?
Sou uma mistura de todos os elementos.
Sou amálgama: terra, fogo, água e ar.

Quem sou eu?
Alguém me define?












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Resultado do PET

     Eu estava apreensiva com o resultado do PET, pois os marcadores tumorais indicavam que a doença poderia ter saído do controle. Preferi pegar o resultado apenas no dia da consulta, e nem tive coragem de ler o laudo antes que a Dra. Carol o fizesse.
     Ela estava concentrada na leitura do laudo e eu concentrada na expressão de sua face para tentar descobrir se a coisa estava feia mesmo ou se tinha sido apenas um falso positivo o resultado dos marcadores tumorais.
     Ela lia, marcava algumas coisas com a caneta, mas sua expressão não me parecia alarmada e isso me deixou animada. No final da leitura ela olhou para mim e disse: "oh minha bichinha o remédio está fazendo efeito". A doença só avançou nas axilas, e já é possível ver o tamanho dos nódulos a olho nu, sem precisar tocar, mas no geral está controlada. Isto é uma boa notícia. 
     Respirei aliviada ao saber que meus órgãos vitais continuam preservados. O resultado da ressonância magnética do cérebro está normal, fígado, pâncreas e rins também estão bonitinhos, sem nenhum sinal de câncer. Ufa! Ainda continuo ganhando da doença. O pulmão continua mostrando lesões mas, sinceramente, eu continuo afirmando que não pode ser câncer. Ainda acho que é apenas consequência da radioterapia. Se fosse câncer já teria me ferrado há tempos.
     Eu sabia que os nódulos embaixo da axila esquerda deveriam ter aumentado porque o braço está doendo e a dor piora quando levando o braço. Já é possível sentir o tumor porque ele faz uma protuberância sob a pele. Ainda bem que não é uma dor insuportável. É apenas aquele tipo de dor que não deixa você esquecer que tem braço e axila.
     A Dra. Carol vai discutir o assunto com o Dr. Fernando para decidir o que fazer com relação aos nódulos da axila. Ela acha melhor fazer uma punção para ver se o câncer nessa região continua a ser o HER2 positivo ou se houve alguma mudança. Se a lesão continuar crescendo talvez seja necessário fazer radioterapia, coisa que não me agrada muito. Será que não será melhor tirar logo essa encrenca e ficar livre desses tumores de uma vez por todas? Vou conversar sobre isto com o Dr. Fernando e a Dra. Carol em nossa próxima consulta.

Marcadores tumorais nas alturas - Será que a doença realmente avançou?

     Assim que cheguei da viagem que fiz a Portugal fiz mais um ciclo do Halaven. A Dra. Carol incluiu no pedido do exame de sangue os marcadores tumorais e o resultado foi assustador: eles aumentaram muito de dezembro para cá, e isto pode significar que o novo protocolo não está fazendo o efeito desejado. Na dúvida ela achou melhor antecipar o PET e hoje fiz o exame. Fiz também uma ressonância magnética do crânio para descartar qualquer metástase no cérebro.
     Confesso que estou me sentindo como se estivesse andando sobre uma corda bamba em cima de um penhasco. Logo eu que tenho horror a altura. É um tanto assustador saber que um alienígena está te corroendo por dentro, sem dó nem piedade, e que os remédios, por mais modernos e eficazes que sejam, não conseguem deter seu avanço.
     O resultado dos exames só sairá na próxima segunda-feira e até lá será inevitável ficar apreensiva, muito embora eu esteja careca de saber que não adianta nada ficar assim. Mas, como sou humana, sei que vez ou outra me pegarei pensando no assunto (como se isto resolvesse...)
     Confesso que morrer me assusta muito menos do que saber que a doença está fora de controle... Torço para que meus órgãos vitais ainda estejam preservados, pois assim tenho certeza de que ainda estou ganhando da doença. Tomara! 
     Sei que nem posso reclamar, pois já venho vencendo este câncer há quase duas décadas. Só a metástase, em março deste ano, completou 10 anos que faço tratamento contínuo e quem olha na minha cara jura que sou a pessoa mais saudável do planeta. Às vezes até eu duvido que eu tenha tantas metástase espalhadas pelo corpo. Tento levar a vida da melhor forma possível, fazendo o que posso, sendo feliz com o que tenho nas mãos. Já faz algum tempo que conclui que todos temos prazo de validade e que só morremos na hora que tem de ser, independentemente do fato de termos ou não uma doença grave.. Sendo assim, vou vivendo a vida, e fazendo o que gosto, nesse incrível intervalo entre o nascer e o morrer.

Um giro em Portugal - Lisboa

     Fomos cedo para o Parque das Nações, construído para a grande exposição da Expo 98. A primeira coisa que fizemos foi visitar o Oceanário, um aquário enorme que abriga mais de 500 espécies diferentes de animais marinhos. Vimos desde pinguins, pássaros, lontras até águas-vivas e uma infinidade de peixes, incluindo o curioso e estranho peixe lua, o maior e mais pesado peixe ósseo do mundo, podendo pesar até 900 kg.
     Passeamos um pouco pelo parque e depois pegamos um ônibus que nos deixou em Belém, Como todos já estavam com fome resolvemos primeiro escolher um restaurante para almoçar. Um tiro certeiro no escuro, pois escolhemos aleatoriamente e a comida estava deliciosa, bem como o vinho e a sangria.
     Depois do almoço fomos até a Torre de Belém onde a Raissa, o Henrique e a Bárbara tomaram um belo banho, pois uma onda quebrou bem em cima de todos que estavam na ponte que dava acesso a torre. Saíram rindo da molhadeira e continuamos nosso passeio pelo Mosteiro dos Jerônimos e arredores. Tentamos mais tarde comer um pastel de belém confortavelmente sentados mas foi impossível. O local, para variar, estava superlotado. O jeito foi enfrentar a longa fila e comer em pé mesmo. Uma delícia aquele pastelzinho quente.
     De lá fomos para a Praça do Comércio e fizemos uma caminhada pelos arredores. Já estava anoitecendo quando voltamos caminhando para casa.
     O dia seguinte foi nosso último dia de viagem. Almoçamos no Restaurante Cervejaria O Pinóquio, que fica bem próximo do Teatro D. Maria. Fechamos com chave de ouro nosso passeio em Portugal. A comida do Pinóquio estava excelente, e quem vinha comendo bacalhau durante toda viagem disse que aquele foi o melhor. Eu comi um arroz de pato maravilhoso e recomendo. Gosto de experimentar sabores diferentes quando viajo e eu nunca tinha comido arroz de pato. Valeu.

Um giro em Portugal - Cascais

     A cidade de Cascais fica próxima de Lisboa, entre a Baia de Cascais e a Serra de Sintra. É no máximo 30 minutos de viagem, fácil de chegar de carro ou de trem.
      Estacionamos na beira da praia de areia branca e saímos caminhando a pé até a famosa Boca do Inferno, que é uma rocha erodida na falésia, a beira do mar. O nome parece estranho para o local. Será porque deram esse nome?
     Para quem gosta de caminhar, chegar até a Boca do Inferno é um pulo. Acredita-se que num passado bem remoto existia ali uma gruta, mas hoje resta apenas enorme cavidade na pedra açoitada pelas ondas que quebram constantemente no local, levantando uma espuma branca e fazendo um barulho assustador. Reza a lenda que já ocorreram muitos suicídios por lá. Será? Que desperdício resolver morrer num lugar tão bonito.
     A vista é linda e o por do sol naquele ponto é um belo espetáculo da natureza. Ficamos ali um bom tempo curtindo a natureza e quando resolvemos voltar a Suzi quis descer uma escada para conhecer uma feirinha que funciona ali mas, no segundo degrau, escorregou e quase quebrou o pé. Foi assustador e só não foi mais grave porque ela conseguiu jogar o corpo para trás e cair sentada. Como ela conseguiu mover o pé machucado tivemos certeza de que não havia fratura, mas foi por pouco. Ela conseguiu caminhar de volta até o carro, então resolvemos encerrar o passeio e volar logo a Lisboa. O dia tinha sido muito movimentado e cheio de emoções. Melhor descansar para o dia seguinte.
     Chegando em casa vimos que o pé da Suzi estava muito inchado e com a base toda roxa. Coloquei um emplastro que sempre carrego comigo nas viagens e em pouco tempo ela já estava se sentindo mais confortável e sem dor. Isto foi feito por mais uns três dias, mas no final o pé estava novinho em folha.

Um giro em Portugal - Sintra

     Saímos cedo em direção a Sintra. Uma chuva insistente nos acompanhou durante todo o trajeto. Na cidade não chovia então subimos direto a Serra de Sintra para chegar ao Palácio da Pena. A estrada, estreita e sinuosa, dava a impressão de que nunca mais iríamos chegar, pois uma curva fechada levava a outra e assim sucessivamente. Ainda bem que a vegetação exuberante embelezava o percurso.
     Optamos por visitar primeiro o Castelo dos Mouros, construído no Século IX, hoje em ruínas. De cima das muralhas, cercadas por uma bela floresta, se tem uma linda vista da cidade que se estende até o Oceano Atlântico. Não me animei a subir tantas escadas porque fico exausta. Preferi ficar aguardando em meio das muitas flores que enfeitam o jardim, fazendo algumas fotografias.
     Terminada a visita eu e o Nelson pegamos um tuc tuc para chegar no Palácio da Pena, mas o restante do pessoal preferiu subir a pé mesmo. Uma subida e tanto.
     Havia uma fila imensa para comprar as entradas do palácio, que fica no topo da Serra da Sintra. Foi aí que nos demos conta da besteira que fizemos em visitar primeiro o castelo em ruínas. Era melhor ter começado pelo palácio, logo que abriram as bilheterias. Tinha gente saindo pelo ladrão... Nunca tinha visto aquele palácio tão cheio e concluí que foi a última vez que voltei lá. Detesto lugares muito cheios onde uma vez dentro você não tem como sair porque a multidão não permite. Lugares cheios assim não nos permitem apreciar muita coisa porque você é empurrado de uma sala para outra sem conseguir absorver quase nada do que está vendo. Mas paciência, quem está na chuva é para se molhar...
     A descida da serra só não foi pior e mais agoniante porque tinha um ônibus na nossa frente. Se o ônibus cabia naquela estrada estreita, com carros estacionados por todos os lados, certamente a van passaria sem maiores problemas.
    Já estava difícil vencer aquele caminho estreito e cheio de curvas mas, como desgraça pouca é bobagem, eis que outro ônibus vem subindo no sentido contrário, empacando todo o trânsito. Os motoristas devem ter feito alguma mágica, só pode. Espreme daqui, vai devagarinho por ali, dá uma ré, anda mais um pouquinho e um bom tempo depois os coletivos conseguiram passar um pelo outro e destravar o trânsito. Ufa! Que alívio. 
     Me senti aliviada mesmo quando vi que estávamos no centro da cidade, em ruas mais amplas. Depois de muito procurar por uma vaga que coubesse nossa van fomos almoçar no Restaurante Cantinho de São Pedro, que também estava lotado, mas milagrosamente havia uma mesa restante que coube todo o nosso grupo. O atendimento demorou, mas valeu cada minuto pois a comida estava deliciosa (ando concluindo que estou ficando muito gulosa...).

Um giro em Portugal - Fátima - Óbidos e Lisboa

     Assim que terminamos nosso café da manhã saímos em direção a Fátima, que fica a meia hora de Aveiro. A cidade está tranquila, mas da para perceber que está se preparando para a grande festa que acontecerá em maio. Um ritmo frenético de coisas acontecendo é visto por todos os lados.
     A basílica não estava cheia, então foi tranquilo andar por lá, fazer uma oração, pedir uma graça. Conversei com Nossa Senhora sobre minha saúde. Quem sabe eu seja merecedora de um milagre, já que a medicina tradicional não é mais capaz de me curar... Vamos ver.
     Ficamos toda a manhã em Fátima e seguimos viagem para almoçar em Óbidos. Que cidade medieval mais charmosa. É muito bom se perder por suas ruelas estreitas, com calçamento de pedras. E a comida? Que delicia! Experimentei uma costela de burrego divina. Quem pediu bacalhau ou frutos do mar também acertou no pedido. Aliás, todos os pratos estavam muito bons. Acompanhados de um bom vinho então, hummm...
     No final da tarde seguimos viagem para Lisboa. Lá tínhamos alugado um apartamento com cinco quartos pelo Airbnb e acertamos em cheio. O apartamento era amplo, muito central e confortável, com capacidade para doze pessoas. Tinha uma grande sala, cozinha completa e dois banheiros. Tudo novinho em folha e por um preço espetacular. Valeu a pena a experiência.
     Era muito fácil sair para passear pelo centro histórico, para fazer compras ou jantar. O apartamento ficava  perto da Av. Liberdade e da Praça Marques de Pombal. Dava para fazer quase tudo a pé. E foi o que fizemos a noite: mais um jantar animado em família.
    
     

Um giro em Portugal - Aveiro, a Veneza portuguesa

     Passamos a manhã passeando pelo centro histórico do Porto. Tentamos conhecer a famosa livraria Lello, eleita uma das mais bonitas do mundo, mas estava lotada e com fila para entrar, então deixamos a visita para uma próxima oportunidade. Dizem que J.K. Rowling frequentava essa livraria quando ela morou no Porto, e que se inspirou nela para a cena em que Harry Potter compra os livros para ir para Hogwarts. Legal né!
     Como tínhamos que fazer nosso check out às 11h voltamos para o hotel. Na saída para Aveiro, quando o Henrique foi procurar sua carteira de motorista, que estava junto com o cartão de débito do banco, um susto: ela havia sumido e provavelmente tinha caído do bolso de sua calça em algum momento em que ele pegou o celular. Foi um stress danado. Ele ficou apavorado mas, por sorte, a Cristina, mãe dele, disse ter encontrado uma carteira caída na calçada enquanto caminhávamos pelo centro e que ela havia entregue em uma livraria para o caso do dono procurar. Ela também disse que não teve a curiosidade de abrir a carteira e que não tinha certeza se era ou não a carteira do Henrique. O coitado saiu correndo feito um corisco de volta até a livraria enquanto ficamos ali torcendo para que tudo desse certo e que fosse mesmo a carteira dele. Foram momentos de muita angústia. Até o funcionário do hotel em que estávamos hospedados se prontificou a ajudar indo até a livraria.
     O tempo parecia se arrastar e nada do Henrique retornar. Todos estavam tensos e preocupados com a situação e quando o Henrique entrou pela porta sorrindo respiramos aliviados com a certeza de que tudo tinha sido resolvido.
     Foi uma lição dura, bem no começo da viagem, para deixá-los mais atentos quanto aos cuidados em guardar bem guardado o cartão do banco e outros documentos importantes. Não dá para colocar documentos no bolso. É necessário guardá-los em lugar seguro, fechado. Uma distração como esta pode estragar a viagem. Já pensou? Ainda bem que tudo não passou de um grande susto.
     Antes de pegarmos a estrada em direção a Aveiro, conhecida como a Veneza portuguesa, por causa dos seus canais e seus moliceiros coloridos, semelhantes as gôndolas, paramos em Matosinho para almoçar. Uma orgia de comidas com diferentes tipos de peixes e iguarias. Tudo uma delícia.
     A viagem foi tranquila, mas a chegada no hotel não foi uma tarefa muito fácil. É que o hotel ficava no alto de uma colina e o acesso, além de uma curva muito fechada logo na saída da estrada, era estreito e íngreme. Uma dificuldade para uma van enorme que mais parecia um ônibus. O gerente desceu para segurar o trânsito enquanto o Henrique manobrava o carro para fazer a curva fechada. O estacionamento, que não era muito grande, já estava lotado e foi uma dificuldade encontrar um espaço para estacionar, mas deu tudo certo no final.
     Saímos para explorar Aveiro. Conhecemos o famoso mercado de peixes e andamos pelo centro conhecendo as principais atrações. Como já estava quase anoitecendo fomos pegar o último moliceiro que saía naquele dia para percorrer os canais da ria e percorrer a cidade no entardecer. Estávamos tão encantados com a beleza do espetáculo do por do sol que nem o vento gelado chegou a atrapalhar o passeio. O cachorro de um dos passageiros, um belo animal muito manso e bem educado, foi uma atração a parte.
     Terminado o passeio de barco voltamos para o hotel e depois de um banho reparador saímos para jantar. Como se come bem em qualquer lugar em Portugal. As refeições, acompanhadas sempre de um bom vinho, foram realmente o ponto alto de toda a viagem.

Um giro em Portugal - Guimarães, Braga e Póvoa do Varzim

     Acordamos cedo, tomamos nosso delicioso café da manhã numa confeitaria e seguimos em direção a Guimarães, cidade considerada como sendo o Berço da Nação Portuguesa, pois foi lá que em 1109 nasceu D. Afonso Henrique, o primeiro rei do país. Guimarães é uma simpática cidade do município de Braga, ao norte de Portugal. Suas ruelas medievais, suas praças bem conservadas e seu imponente castelo que domina a vista, deixam a cidade encantadora. A enorme muralha do castelo se destaca na paisagem.
     Enquanto caminhávamos pelo centro vimos muitas crianças em idade pré-escolar, fantasiadas para o carnaval, se divertindo nas praças. Uma graça. 
     Fomos conhecer primeiro o castelo, que fica na parte alta da cidade. Em frente fica a igreja São Miguel do Castelo. Tumbas dos heróis da reconquista formam o piso da igreja. Reza a lenda que D. Afonso teria sido batizado naquela igreja. Ali perto também está o Paço dos Duques de Bragança, construído em 1420.
     Depois fomos passear pelo centro histórico da cidade, considerado patrimônio cultural da humanidade, e de lá seguimos para Braga, cidade onde nasceu o avó do Nelson, pai do Henrique. Ele queria muito conhecer a cidade de seus ancestrais.
     Braga é uma cidade grande, a terceira maior do país. Com suas mais de 30 igrejas, é considerada a Roma portuguesa. É lá que fica a igreja mais antiga do país, construída em 1070, e local dos túmulos de D. Henrique e Dona Teresa, pais de D. Afonso Henrique.
    Já no final da tarde seguimos em direção a Póvoa do Varzim, cidade onde nasceu Eça de Queiroz. Chegamos a tempo de assistir o espetáculo do por do sol na beira da praia. Lindo de apreciar, apesar do vento que não parou de soprar, fazendo gelar até os ossos.
     Voltamos para o Porto com noite fechada, cansados mas felizes com tudo o que havíamos feito até ali. 

Um giro em Portugal - Porto

     Minha filha resolveu, junto com o marido, tirar um ano sabático. Convidou-me para acompanhá-los no início da jornada que começou em Portugal. Ao todo éramos 7 pessoas: eu, a Bárbara e o Henrique, seus pais, a Suzi e a Raissa.
         A Raissa estava muito ansiosa,  pois era sua primeira viagem a Europa. A Suzi, coitada, foi escolhida para ser revistada depois que fez a imigração. Teve que tirar o tênis, foi apalpada por todo lado e teve a mala de mão revirada pelo avesso (ainda bem que não foi a Raissa porque senão ela teria entrado em pânico). Não entendi o critério que eles usam para fazer a abordagem. Acho que é aleatório, sei lá. É no mínimo constrangedor.


        Saímos de Brasília para o Porto, com escala em Lisboa, no dia 22 de fevereiro. Funcionários da Europcar nos aguardavam no aeroporto para pegarmos o carro que havíamos alugado pela internet. Era uma van que mais parecia um microônibus de tão grande, e aí começou nossa aventura. No centro da cidade, onde ficamos hospedados, algumas ruas eram tão estreitas que dava a impressão que mal cabia um carrinho de pipoca e lá ia o pobre do Henrique dirigindo aquele monstro azul. Eu fechava os olhos de agonia, mas nosso motorista foi perito e conseguiu vencer todos os obstáculos com maestria. Ufa!

nosso quase ônibus

         Depois de descer a rua onde ficava nosso hotel, pelo menos duas vezes, sem conseguir estacionar, encontramos um estacionamento privado relativamente próximo do hotel e finalmente paramos numa vaga que nos obrigou a descer uma rampa super inclinada e curva. Deus me livre, mas eu não dirigia aquela van por nada nesse mundo. Haja sangue frio.
         Saímos arrastando as malas rua acima até o hotel. Ainda bem que eram poucas malas porque tivemos o bom senso de usar uma mala média para cada duas pessoas, e isto facilitou muito as coisas. O hotel foi uma surpresa agradável: os quartos eram enormes e muito confortáveis. Tinha até uma sala com cozinha americana e uma varanda (um pouco inútil por causa do vento e do frio). Tudo novinho em folha e uma graça. Valeu a pena a hospedagem no BO Almada. Recomendo.
         Assim que fizemos o check in saímos para almoçar. Optamos por um dos restaurante à beira do Douro e acertamos em cheio, pois a comida estava deliciosa, acompanhada de um bom vinho e até uma boa música que era executada por uma dupla que tocava bem em frente onde estávamos. Para melhorar,  a conta ficou muito abaixo do que havíamos previsto gastar por refeição durante a viagem. Um ótimo começo.
      Passeamos um pouco por ali  e então resolvemos atravessar a Ponte Luiz I, inaugurada em 1886, em direção a Vila Nova de Gaia, onde ficam as famosas vinícolas portuguesas. Optamos por conhecer a vinícola Cálem, que funciona desde 1859. Ouvimos atentos a explicação do guia sobre como são fabricados os famosos vinhos do porto e ao final degustamos dois saborosos vinhos portugueses.
     Passeamos um pouco por lá e como a noite caia depressa voltamos para o hotel. Estávamos cansados da viagem e tudo o que queríamos era dormir para começar cedo a aventura do dia seguinte.

3º ciclo de Halaven

     Cada ciclo de 21 dias do Halaven é dividido em duas doses ministradas nas duas primeiras semanas do ciclo. No meu caso faço a primeira dose numa quarta-feira, a segunda dose na quarta-feira seguinte e tenho uma folga na outra quarta-feira. Ontem fiz a primeira dose do terceiro ciclo e na próxima quarta farei a segunda.
     Tenho tolerado bem o novo protocolo apesar da fadiga, do cansaço, do aumento da neuropatia e da queda da imunidade, mas fazem parte do jogo. Só quero e estou contando é com a eficácia do remédio que promete, no mínimo, impedir o avanço da doença. Vou conferir se está realmente funcionando quando eu fizer o próximo PET em março, depois que eu já tiver feito 12 doses da nova medicação.
     Tenho aproveitado meu recolhimento em casa, porque tenho evitado sair para lugares mais cheios e fechados por causa da baixa imunidade, para ler mais. Adoro ler. Viajo nas histórias. Comecei ler a série dos Reis Malditos que é a história dos reis da França, desde o período medieval. Como o livro é muito velho e, apesar de usar máscara, acabo espirrando bastante, estou lendo mais devagar. Nos intervalos leio outros e ontem comecei a ler Gravidade, de Tess Gerritsen. Ave, que agonia, tudo que pode dar errado está acontecendo na história. Vamos ver como tudo acabará.