A alegria dos passarinhos após a primeira chuva da primavera

     Ontem a tarde caiu a primeira chuva da primavera encharcando o solo vermelho do cerrado, rachado e ressecado pela longa estiagem. A chuva caiu forte e sem pressa de parar, e o vento soprou forte também balançando sem dó os galhos das árvores e as longas folhas das palmeiras. O barulho do vento zumbia ameaçador pelas frestas das portas e janelas, metendo medo nas pessoas, enquanto a chuva geladinha caía lá fora aliviando o forte calor das últimas semanas e alimentando o lençol freático já quase esgotado.


     Hoje o dia amanheceu fresquinho, do jeito que eu gosto. Fui cedo para o quintal apreciar a festa da bicharada e percebi que os filhotes dos pássaros, já bem crescidos, eram alimentados pelos pais nos galhos das árvores. Eram muitos filhotes de periquitos verdinhos, já do tamanho dos pais, reclamando pela comida fácil. Havia pombos, sabiás, joão de barro e outros que nem sei o nome pulando do pé de graviola para o ipê e de lá para a pitangueira e para a acerola. Era uma festa bonita de se ver.


     Fiquei lá fora um bom tempo observando os passarinhos fazendo algazarra numa cacofonia maluca de sons e cantos. Vi os periquitos cortando as favas do ipê para alcançar suas sementes e a sabiá se banqueteando com as pitangas maduras. O joão de barro bicava o solo molhado em busca de minhocas e o bem-te-vi ciscava as folhas secas dos canteiros para encontrar algum petisco escondido. Todos se deram bem e saíram voando de papo cheio.

flor de caliandra


     Fui então dar uma caminhada pelo condomínio e vi um beija-flor alimentando seus filhotinhos no pequeno ninho feito no galho de uma enorme árvore, num terreno ainda vazio. Pouco antes eu tinha visto este mesmo passarinho se alimentando do néctar das flores do meu jardim. Ele enfiava o longo bico até nas flores ainda em botão para alcançar o alimento para seu filhote. Que coisa mais linda este frágil e delicado passarinho.




     O sol começou a esquentar então voltei devagar para casa acompanhada da minha cachorra velhinha. Ela adora dar uma volta pelas ruas, mas como está velha e cheia de dores não consegue andar muito tempo. Eu também não estou conseguindo andar muito, então somos o par perfeito para uma curta caminhada.
7 Responses
  1. Anônimo Says:

    Mama, esse texto ficou delicioso de ler! Estava com saudades de ler suas coisas! Te amo!!!!


  2. Luciana Says:

    Vc escreve muito bem, parabéns!
    Boa semana para vc.


  3. Lou Says:

    Obrigada pelo elogio. Odoro ler, e escrever é uma delícia. bjs


  4. Jornalisa Says:

    Adorei vir aqui e saber que você está melhor - ninguém merece labirintite. Seu texto continua ótimo, tão gostoso quanto os jardins de sua casa. Abração!



  5. Venho sempre aqui...e quando não vejo postagens novas...fico triste..volta!


  6. Lou Says:

    Obrigada Rachel. Andei recolhida e fiquei algum tempo sem escrever, mas agora já estou bem novamente. bjs


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Obrigada pelo comentário. bjs Lou