Os cadeados e os buquinistas das margens do Rio Sena

    As ruas de Paris guardam algumas atrações interessantes que vale a pena serem descobertas...
    Nas margens do Rio Sena, ao longo de 3 km, desde o século XVIII, estão instalados os buquinistas, vendedores de livros usados, cujas bancas pintadas de verde ficam sobre o muro nas duas margens do rio. Eles vendem não só livros, mas também encontramos jornais antigos, revistas em quadrinhos, cartões postais, discos, medalhas, moedas antigas, selos e gravuras de propagandas antigas.
    Com sorte, é possível até garimpar um livro raro numa daquelas bancas. Não custa nada dar uma paradinha e tentar a sorte. Os buquinistas já fazem parte da paisagem de Paris e são um dos mais conhecidos cartões postais da cidade. Aliás, os buquinistas de Paris são patrimônio da humanidade declarado pela UNESCO.

    Comecei meu passeio pela margem do Sena na altura da Catedral de Notre-Dame e fui caminhando sem pressa em direção ao Museu do Louvre. No caminho eu e minhas amigas paramos algumas vezes para dar uma olhadinha nas bancas dos buquinistas que ainda estavam funcionando, pois já estava anoitecendo e a maioria delas já estavam fechadas.

   Na altura da Pont des Arts paramos numa banca para a Maura comprar algumas lembranças. Aproveitamos para fotografar os cadeados que os apaixonados de todas as partes do mundo deixam trancados nas grades da ponte para simbolizar o amor eterno. É uma tradição que ninguém sabe muito bem como começou, mas que acabou virando uma das maiores atrações turísticas da cidade.

    A tradição de trancar o cadeado na ponte com mensagens de amor e jogar a chave no rio além de atração turística virou também um problema para as autoridades. O peso excessivo do metal dos cadeados acaba por afetar a estrutura comprometendo a estabilidade da ponte, provocando rachaduras e colocando em risco a segurança da mesma e, em consequência, das pessoas que por lá transitam. A paixão dos casais virou a dor de cabeça daqueles que cuidam da segurança da ponte, mas qual é o apaixonado está preocupado com a segurança de uma ponte?

Dinard - Festival Britânico de Cinema (texto da Helena)

   



      Chegamos a Dinard em pleno festival de cinema britânico. Ele acontece todos os anos, na primeira semana de outubro e dura 5 dias.


   

 Além dos filmes que participam da competição, o público é convidado para pré-estreias, assim como para retrospectivas e homenagens aos grandes nomes do cinema britânico. Há, também, espaço para filmes franceses coproduzidos por britânicos ou rodados no Reino Unido.





      


    Ao completar 20 anos o Festival de cinema Britânico de Dinard doou uma escultura em bronze de Alfred Hitchcock. O cineasta inglês, mestre do suspense, está agora eternizado na Praia de l’Écluse. Gravata ao vento, olhando assustado o pássaro pousado no seu ombro, como a lembrar-se de um dos seus mais famosos filmes, « Os Pássaros ».
   
   
       
    O festival tem premiado longas metragens que, em seguida, obtiveram sucesso internacional, como Cova rasa (1994), Ou tudo, Ou nada (1997), Billy Elliot (2000), Domingo Sangrento (2002) ou ainda Moça com brinco de pérola (2003) e tem contado com a presença de famosos como Roger Moore, Christopher Lee e Hugh Grant entre outros. O vencedor do festival recebe o Hitchcock de Ouro, o maior prêmio do festival.



        Chegamos em boa hora. A semana estava movimentada. Havia bastante gente nas ruas, filas nos cinemas, bares e restaurantes cheios... tinha até o famoso tapete vermelho, por onde desfilam os astros e estrelas. Maura e Lourdinha tiveram o seu momento de glória, desfilaram no tapete vermelho como verdadeiras superstars.

Fougères - Notre Dame de Marais (texto da Helena)

  
 


        A paróquia de St. Sulpice está intimamente ligada ao surgimento da cidade, por volta do século X. Fica junto ao castelo de Fougères, mas a construção atual é resultado das ampliações ocorridas  ao longo de quase quatro séculos, 1380-1760. 
  

     







   A ligação entre St. Sulpice e Notre Dame des Marais é antiga e envolta em mistério, como tudo na Bretanha. Conta  a lenda  que a estátua da santa, desapareceu depois que o castelo de Fougères foi invadido pelo rei da Inglaterra, Henry II, em 1166, e a capela de Santa Maria, onde ela estava foi destruída.









 Durante a reconstrução da Igreja de St. Sulpice, na virada dos séculos XIII e XIV, a imagem da santa foi reencontrada pelos trabalhadores, que a chamaram de Notre Dame des Marais, referindo-se à terra alagadiça onde eles a acharam.
   
(foto da imagem retirada da internet)    















 
   
      A igreja é imponente e os vitrais são belíssimos. Num deles está retratado o bisavô da mãe do Lionel, todo empertigado, num uniforme azul e longa barba branca. Disse-me ela, com muito orgulho, que ele era o cozinheiro do Napoleão III. 
Gárgulas
          As Gárgulas destinam-se a escoar as águas pluviais dos telhados. Na Idade Média, eram ornadas com figuras monstruosas, humanas ou animalescas. O termo se origina do francês gargouille (gargalo, garganta) ou da raiz gar, engolir, que significaria o gorgulhante som da água ao passar pela gárgula.
          Acredita-se que as gárgulas eram colocadas nas Catedrais Medievais para indicar que o demônio nunca dormia, exigindo a vigilância contínua das pessoas, mesmo nos locais sagrados.



        A França, como é cheia de histórias, não poderia deixar de ter uma para as gárgulas. Conta a lenda, que São Romano, bispo de Ruão, com a ajuda de um prisioneiro voluntário derrotaram "Gárgula", um dragão-do-rio  que vivia nos pântanos de Ruão, afundava os barcos e comia as pessoas e os animais da região. Um dia, o bispo atraiu a Gárgula para fora do rio. Com um crucifixo, e usando seu lenço como cabresto, levou o monstro até à praça principal, onde os aldeões o queimaram até a morte. Restou do monstro apenas a cabeça e o pescoço, que colocaram como enfeite no topo da igreja, como reconhecimento do feito de São Romano..





        Quaisquer que sejam as origens dessas imagens, o fato é que elas têm estado ao lado do homem há centenas de anos e parecem capturar e inspirar sua imaginação até hoje.