Um giro em Santa Catarina - Chegada em Brusque e passeio em Nova Trento



                O Matteus foi nos levar até Brusque. A viagem foi tranquila, apesar do trecho de retenção por causa da pintura na pista, e durou pouco mais de uma hora.

            Nosso hotel, o Monthez, ficava no alto de uma serra, cercado de verde por todos os lados. Inicialmente nos colocaram num quarto com carpete, e em menos de 10 minutos comecei a espirrar tanto que cheguei a ter ânsia de vômito. Horrível. Precisei sair do quarto porque pensei que fosse ter um treco. Alertada, a gerência, gentilmente e sem custos adicionais, nos destinou outro quarto com piso de madeira e vista para o jardim.

            Como havia uma convenção no hotel eles serviriam um almoço, mesmo aqueles hóspedes que não faziam parte do grupo também poderiam almoçar pagando apenas R$ 35,00 reais por pessoa, com a sobremesa incluída. Aproveitamos e não nos arrependemos, pois tanto a comida como as sobremesas estavam deliciosas.


            Depois do almoço saímos para passear com o Michel, o motorista que nos atendeu em Brusque, e fomos até Nova Trento, cidade de colonização italiana, conhecer o santuário de Santa Paulina, um lugar lindo, rodeado de belos e bem cuidados jardins. O santuário é enorme, com sete mil metros quadrados e capacidade para três mil pessoas sentadas e conta com um amplo um amplo estacionamento.


              Irmã Paulina, primeira santa do Brasil, foi beatificada pelo Papa João Paulo II em maio de 2002. Ela nasceu na região do Tirol, na Itália, e veio para o Brasil aos 10 anos de idade. Aos 30 anos fez os votos de freira, dando início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. O primeiro milagre atribuído a ela aconteceu em Imbituba-SC e o segundo em Rio Branco-AC.


            O Michel, um motorista muito gentil e atencioso, sugeriu que fossemos até o Morro da Cruz para conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Bom Socorro. A subida até a igreja, que fica no alto do morro, é de 4 km bastante íngremes e cheios de curvas, mas valeu muito a pena. A vista do mirante era de tirar o fôlego, apesar do vento cortante e do frio. Ainda bem que o tempo estava bom, com um céu sem nuvens, permitindo uma perfeita visão das montanhas ao fundo. Lindo demais!

              A estátua de Nossa Senhora do Bom Socorro tem 2,20m de altura e pesa 700 kg. Ela veio da França em 1906 e foi inaugurada em 1912.

            Já era tarde quando voltamos para o hotel. Jantamos por lá mesmo e fomos descansar para aproveitar o dia seguinte, que estava programado para uma visita na Gruta de Botuverá, entre outros passeios.

Um giro em Santa Catarina - Segundo dia em Florianópolis



                Bem no dia do aniversário da Lili o tempo amanheceu fechado. A vista além de nossa janela era uma fina cortina de água, que caía sem parar e parecia gelada. O céu cinzento deixava uma aparência triste lá fora. As ruas estavam desertas.
            Depois do café da manhã ficamos de castigo no hotel esperando a chuva estiar. Socorro! A chuva parecia piorar a cada momento. Os prédios mais distantes estavam encobertos por uma espessa camada de neblina. O tempo precisava melhorar, pois tínhamos um passeio pelos pontos turísticos da cidade programado para 13 horas.
            Enquanto a chuva caía lá fora aproveitamos para dar uma olhada nas notícias do dia. Maura leu na internet uma relação de gastos extravagantes da presidente afastada, Dilma. Um verdadeiro deboche com o povo brasileiro. A notícia dava conta, por exemplo, de que a presidente afastada consome bombons pesando 45g e que custam R$ 250,00 a unidade. Pior, segundo a notícia ela costuma dar uma mordida na parte do bombom que é recoberta com pó de ouro e joga o restante no lixo. Se realmente for verdade, isto é ou não é um deboche com a cara dos brasileiros que trabalham duro e pagam impostos extorsivos? Isto é ou não é um deboche com a cara dos brasileiros que ainda passam fome neste país? Mas estamos de férias, é melhor não se aborrecer com notícias de política. Voltemos ao nosso passeio.
            Saímos assim que a chuva parou, mas a alegria durou pouco e voltou a chover torrencialmente. Tivemos que pegar um táxi e fomos para o Shopping Beiramar para ficarmos abrigadas e fora do quarto do hotel. Como era domingo as lojas estavam fechadas pela manhã, mas mesmo que estivessem abertas eu não teria coragem de comprar nada, pois tudo custava os olhos da cara. Vi uma calça comprida numa vitrine que custava mais de dois mil reais. Deus me livre! Cruzes! Nunca pagaria um preço destes por uma simples calça comprida.



            O Matteus, motorista que serve os hóspedes do Hotel Faial, foi nos apanhar pontualmente às 13h para fazermos um passeio de 4 horas pela cidade. Para nossa alegria a chuva havia parado. Passamos por vários pontos turísticos e até nos animamos a escalar uma duna para apreciarmos a beleza da vista lá de cima. O Matteus garantiu que valeria a pena o sacrifício da subida, e valeu mesmo (as fotos não fizeram jus a toda beleza do lugar, ou o problema estava mesmo com a fotógrafa...).



            Como era época da pesca da tainha, fomos ver de perto a pescaria e a chegada no porto dos barcos repletos do pescado. Que experiência interessante. Os pescadores que trabalham em terra ficam em cima das pedras observando a entrada de algum cardume no canal. Assim que eles avistam um cardume, jogam suas redes que voltam repletas de peixes se debatendo e tentando escapar, mas uma vez na rede, eles não conseguem fugir ao seu destino. 



Os pequenos barcos que entravam no canal pendiam para um dos lados, parecendo querer tombar a qualquer momento. É muito pescado acumulado nas redes que estão no fundo dos barcos, mas nem todos os barcos chegavam assim tão cheios. Alguns pareciam não ter tido um bom dia de pesca. Outros, no entanto, traziam centenas, milhares de tainhas pescadas em alto mar. Os pescadores pareciam animados com o dia de trabalho. Eles gritavam e jogavam as cordas para ajudar no atracamento da embarcação. Seus rostos queimados de sol, marcados com vincos profundos, demonstravam uma vida dura no mar, embaixo de sol ou chuva. Seus braços fortes, torneados pelo esforço em puxar a rede, gesticulavam muito orientando aqueles que ajudavam em terra. Era uma cacofonia de sons, gritos, ronco de motores, gritos estridentes das gaivotas oportunistas que tentavam roubar algum peixe ou qualquer outra coisa comestível que estivesse a vista.


Já era hora de voltarmos. O trânsito estava parado e demoramos a sair do congestionamento, o que atrasou um pouco nossa chegada no hotel. O motorista nos disse que em época de temporada aquele congestionamento costuma atrasar horas. Bom saber porque não quero ver isto de perto nunca.
Fomos jantar no Toca da Garoupa para comemorarmos o aniversário da Lili. Apesar do restaurante ter sido muito bem recomendado não gostamos muito. Sinceramente, a comida do restaurante Lindacap (www.lindacap.com.br) era muito melhor e os garçons muito mais simpáticos e atenciosos.

Motorista que nos atendeu em Florianópolis:
Matheus Melo
(48) 9914-9979

Um giro em Santa Catarina - Florianópolis



                Viajamos pela manhã no dia 28 de maio.  O avião estava superlotado com concurseiros que estavam indo fazer prova em Florianópolis. Muitos deles já se conheciam de outras viagens, na tentativa de conquistar uma vaga em concurso federal.  As conversas entre os passageiros giravam em torno desse assunto e eles pareciam muito ansiosos e aproveitavam o tempo da viagem para repassar a matéria estudada.

            Na sala de desembarque um concurseiro percebeu que havia esquecido sua apostila com resumos dentro da aeronave. Aflito, voltou correndo para resgatar seu tesouro esquecido, afinal seus resumos podiam garantir um bom desempenho nas provas.
            Chegamos ao hotel, fizemos nosso check in, deixamos a bagagem no quarto e saímos para almoçar. A sugestão do restaurante Lindacap foi acertada. A comida estava deliciosa e o preço justo. Maura se esbaldou com uma feijoada, enquanto eu e a Lili optamos por um peixe maravilhoso. O congrio estava no ponto, perfeito, e seus acompanhamentos também. A porção era generosa, e dava perfeitamente para três pessoas almoçarem bem.

 escultura no Parque da Luz


            Depois do almoço demos uma parada no parque antes de retornarmos ao hotel onde a Lili resolveu ficar descansando enquanto eu e Maura saímos para explorar as imediações. O tempo não estava muito bom, mas a chuva havia dado uma trégua então aproveitamos para caminhar. Fomos em direção à rodoviária que ficava bem próxima e aproveitamos para conhecer a feirinha de artesanato e o Mercado Central, cheio de bares e restaurantes. Estava tudo lotado e em todos os restaurantes havia uma pessoa convidando os turistas a experimentar suas iguarias.

            De volta na feirinha aproveitei para tomar um caldo de cana com limão. Uma delícia! Maura preferiu uma água de coco.
            Voltamos para o hotel porque a chuva ameaçava cair novamente. Já era tarde, então resolvemos descansar para aproveitar bem o dia seguinte.

Escolha errada

     Procurei escolher o prato aparentemente mais inofensivo do cardápio, e acabei o dia internada com infecção intestinal, bem na véspera da viagem para São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Foi uma tremenda frustração porque além de não conseguir viajar ainda vomitei horrores, coisa que odeio fazer, e isto sem falar na diarréia e dores no corpo.
     Era para ser um almoço tranquilo, na Vila Germânica em Blumenau, então procurei escolher um prato leve e sem exageros, afinal iríamos viajar na manhã seguinte. Escolhi uma pasta com tirinhas de filé e comi menos da metade do prato. (Tento imaginar o que teria acontecido se eu tivesse ingerido o prato todo...)
     Passeamos um pouco pela vila, entramos nas lojinhas, comprei algumas cervejas de cervejarias locais para minha filha, e seguimos para o hotel para descansarmos um pouco. Nosso plano era sair a noite mas acabei indo mesmo foi para o pronto socorro do Hospital Santa Catarina onde fui medicada com soro, plasil, buscopam e sei lá mais o quê.
     O médico me liberou ainda de madrugada, então voltei para o hotel com minhas amigas. Decidimos viajar direto para Camboriu pela manhã, ao invés de irmos primeiro para São Francisco do Sul que é uma cidade pequena. Afinal, se eu tivesse alguma recaída, era mais seguro estar numa cidade maior e com uma boa rede hospitalar.
     O trajeto de Blumenau a Camboriu é curto, mas mesmo assim o motorista precisou parar porque as náuseas voltaram e eu vomitei o pouco do café da manhã que eu tinha conseguido comer. Assim que chegamos no hotel fui direto para o quarto onde passei o restante do dia na cama, sem conseguir comer mais nada. Pelo menos parei de vomitar e consegui beber um pouco de gatorade, conforme recomendação médica.
     Passar o domingo no quarto não foi um desastre maior porque o dia estava frio e chuvoso, assim não perdi grande coisa. No dia seguinte a chuva deu uma trégua, então aproveitei para sair um pouco e caminhar pela praia.
     Eu e Maura, muito bem empacotadas com cachecol, gorro e casado pesado, enfrentamos o vento gelado e caminhamos um pouco pelo calçadão. Decidimos depois pegar o bondindinho até o ponto final, onde fica o teleférico. Estava chuviscando e continuava ventando muito, e como eu detesto altura, a Maura achou melhor deixar o passeio de teleférico para o dia seguinte com a Eliete. Caminhamos um pouco, mas como o tempo parecia querer piorar achamos mais prudente voltar para o hotel antes que o aguaceiro resolvesse desabar sobre nós.
    

Torcicolo e acupuntura

     Semana passada passei por um perrengue com um torcicolo que me azucrinou por pelo menos uns três dias. A fisioterapeuta que está acompanhando minha mãe também me atendeu e colocou um aparelho que além de diminuir a dor ajuda a desinflamar e eu fiquei bem no final de semana, mas esta noite acordei com o pescoço travado novamente.
     Levantei para passar pomada de arnica e usei uma faixa no pescoço para tentar dormir, mas pela manhã a dor estava me deixando maluca. Eu não podia sequer tentar virar o pescoço que doía muito, então resolvi procurar ajuda na acupuntura.
     Ao invés das agulhas tradicionais eles optaram por colocar uns eletrodos que davam uns choquinhos na musculatura do pescoço e das costas que estavam duras e inchadas. Fiquei meia hora neste atendimento e, se a dor não cedeu por completo, pelo menos saí de lá conseguindo engolir a saliva sem sentir dor e choque no pescoço. Já foi um alívio.
     Depois do almoço tomei um remédio para dor, que também é relaxante muscular, e consegui finalmente dormir profundamente por algumas horas, quando acordei já me sentia bem melhor. Que alívio.
     Amanhã farei outra aplicação com acupuntura e espero ficar finalmente livre deste incômodo que consegue tirar qualquer um do sério. Acredito que mais umas duas ou três aplicações serão suficientes para resolver o problema. Tomara.

Cuidando da área verde

     Já se passou um ano desde que vendi minha casa e mudei para um apartamento no Plano Piloto. Quem mais sentiu a mudança, sem dúvida, foi minha mãe que ficou sem o seu jardim e a horta que ela cuidava com tanto carinho. Eram tantas flores, tantas ervas cheirosas esperando o momento certo para serem colhidas e transformadas em deliciosos chás ou saladas nutritivas, diversos tipos de pimenteiras e as frutas amadurecendo no pé e alimentando os passarinhos.
     No final do ano passado, numa reunião de condomínio, sugeri que fosse feita uma horta na área verde da quadra para que todos tivessem acesso a ervas frescas e livres de agrotóxicos. A idéia foi aprovada, mas não havia nenhum sinal de horta até o mês passado.
     A calçada de acesso entre nosso bloco e o comércio estava cheia de mato e com aparência de abandono. Um verdadeiro horror e aquilo incomodava todo mundo. Enviei mensagem para o GDF cobrando providências, falei com as pessoas encarregadas da limpeza e nada. Ninguém fazia absolutamente nada e a sujeira só piorava. 
     Conversando com uma vizinha do bloco, que também se incomodava muito com a sujeira e o aspecto de abandono da quadra, combinamos que iríamos contratar um jardineiro por nossa conta para fazer a limpeza da calçada e cuidar da área verde e colocamos nosso plano em prática já na semana seguinte.
     Luan, o jardineiro que contratamos, chegou cedo no final de semana e passou o dia inteiro capinando e carregando a terra e o mato retirado das calçadas em frente do nosso bloco e colocando tudo num grande buraco que havia se formado na área verde com a queda de uma árvore pela raiz. Depois de muitos carrinhos de terra e mato o buraco finalmente desapareceu e uma pequena elevação se formou no meio do gramado maltratado e cheio de galhos secos e pedras.
     A sujeira era tanta que tudo o que o Luan conseguiu fazer no primeiro dia de trabalho foi capinar e carregar a terra e o mato para a área verde. Havia mais de um palmo de terra e mato em cima da calçada. Depois de tudo retirado eu e a Kênia jogamos água com a mangueira e a calçada finalmente, depois de tanto tempo escondida pela sujeira, apareceu limpa.
     Alguns vizinhos, entusiasmados com a limpeza, resolveram aderir a nossa idéia e colaboraram com as despesas que estávamos tendo com o jardineiro e a compra das mudas de ervas e da terra adubada para nossa pequena hora.
     No final de semana seguinte o Luan voltou para cavar em volta das árvores já plantadas, retirar todo o mato e jogar uma terra adubada e cheia de nutriente. Ele também rastelou o gramado e preparou a terra embaixo de um frondoso flamboyant, que dava sol e sombra na medida certa, para fazermos nossa horta. As sabiás e outros passarinhos ficaram por perto comendo os insetos e as larvas que saiam do meio da terra revolvida. Era uma festa. Plantamos algumas mudas de manjericão, sálvia, tomilho e alecrim, regamos nossa recém plantada horta e deixamos a terra preparada para outras mudas de ervas que pretendíamos cultivar.
     Minha mãe, que estivera internada por dez dias na UTI, voltou fraquinha para casa e foi então que tive a idéia de usar a horta como terapia ocupacional para ajudar na recuperação dela. Depois de algumas sessões de fisioterapia ela melhorou um pouco e finalmente conseguiu descer para plantar algumas mudas de cebolinha, salsa, salsão, pimenta e coentro na horta do nosso bloco. Olhando a velhinha curvada, cavando a terra como nos velhos tempos, esquecida dos dias internada no hospital, percebi que cuidar da horta era o remédio certo para fazê-la recuperar as forças e voltar a se sentir viva, feliz e útil novamente.
     Cuidar da natureza é sempre um benefício.

O amanhecer em minha sala



                    Amanheceu.
                Os primeiros raios do sol incidem na sala de visitas, nas flores que enfeitam o antigo cachepô de prata, que fica sobre o aparador de madeira. As imagens da tela de proteção da janela e as flores estão projetadas em negro sobre a pintura branca da parede. Os grandes potes de vidro, cheios de rolhas de garrafas de vinho, produzem raios prateados que se misturam nas outras imagens. Parece até uma pintura abstrata, em preto e branco.
                A imagem é breve, as figuram se alongam na parede e desaparecem devagar, na mesma medida em que o sol continua a se levantar no dia que fica mais claro a cada momento. Outras projeções breves, fugazes... Os retratos sobre o aparador estão iluminados, algumas rolhas se destacam no fundo da taça de vidro. As raízes da planta que está no pote de vidro formam curiosos desenhos e uma das flores em alto relevo no cachepô brilha e se destaca das outras.
                Tudo sobre o aparador fica novamente na penumbra, na medida em que o sol vai mudando de posição e se projetando mais embaixo. Agora ele ilumina a flor de maio que fica sobre um pequeno pedestal de cimento, na forma de uma coluna romana, embaixo do aparador.
                Os barulhos da rua chegam mais fortes. A cidade está acordada e muita gente já está nas ruas indo para o trabalho, para a escola, ou apenas fazendo uma caminhada matinal.  O barulho estridente de uma freada se destaca sobre o ruído incessante que entra pelas janelas. Os periquitos fazem sua costumeira algazarra e o canto de um ou outro pássaro faz coro com eles.
                O sol agora está na sala de jantar acrescentando a imagem de uma garrafa no quadro de flores de hortências que enfeita a parede. A figura da garrafa se alonga até desaparecer na sombra. O chão de parquet está iluminado e reflete a perna de uma cadeira numa forma bastante alongada. Um raio de sol no formato de uma ponta de seta ilumina duas hortências azuis no quadro. O raio de sol sobe devagar e agora ilumina apenas uma flor, até desaparecer por completo. O quadro voltou a ficar na penumbra, bem como o piso de madeira.
                Os ruídos lá fora ficam cada vez mais fortes. O ronco dos motores dos carros e das motocicletas que trafegam no eixinho ficam mais estridentes e vão desaparecendo até se perderem em meio a outros sons que se aproximam do prédio. O barulho de uma buzina e de uma freada forte se sobressaem na cacofonia de ruídos que marcam o começo de um novo dia, e antes das oito horas da manhã os raios de sol que brincaram de fazer desenhos abstratos nas paredes e objetos da minha sala sumiram por completo.