Cara de Pau

Estou muito irada, indignada mesmo. É só abrir o jornal ou qualquer site na internet para ler notícias infames sobre nossos políticos. Essa corja mentirosa e hipócrita que ocupa o Congresso Nacional.
Eles não possuem um pingo de moral ou vergonha na cara. São um bando de abutres, ou melhor, hienas (pois se alimentam da carcaça apodrecida do povo morto pela miséria e ainda riem da cara desse mesmo povo idiota e mal informado que os elegeu).
Onde já se viu um governador, vinte (20) anos depois de deixar o poder, pleitear aposentadoria pelo cargo. É uma vergonha. Um acinte. Uma forma despudorada e descarada de mamar nas tetas da União.
O povo de um modo geral, esse mais simples e desinformado, e que para ganhar uma dentadura ou uma camiseta qualquer (e agora o bolsa família e outros tipos de bolsa eleitoreira) , elege esse bando de políticos corruptos e ladrões, precisa trabalhar mais de trinta (30) anos para se aposentar com um salário mínimo de R$ 540,00 e um político que fica apenas quatro (4) anos no poder sai aposentado com um salário de mais de R$ 26.000,00. Tá errado! É, no mínimo, imoral. Assim não há PIB que dê conta do recado. Como se já não bastasse sustentar a aposentadoria de ex-presidentes com toda a mordomia que os acompanha na saída do poder, agora os governadores também ganharam esse benefício. .
Quando é que vamos nos mobilizar de fato para acabar com essa pouca vergonha, essa bandalheira?
Não é possível aceitar que para o cidadão comum, que paga um horror de impostos para sustentar os cofres do governo, seja exigido, no mínimo, o ensino médio completo para ocupar um cargo de gari ou copeira no serviço público e para um político, que representará esse povo que o elegeu, basta comprovar que sabe ler ou fazer um O com um copo. E pior, depois de apenas quatro anos no poder esse cidadão ainda tem direito a aposentadoria. Só pode ser brincadeira. Um deboche com o povo brasileiro.

... desconfiado ainda está vivo


Hoje, com certeza absoluta, eu e Suzi só não morremos porque não estava na nossa hora. Escapamos por um triz.

Estávamos indo em direção a clínica onde faço quimioterapia para mais uma aplicação do zometa, como acontece a cada 28 dias nos últimos cinco anos. No meio do caminho, já bem próximo da Asa Sul, saímos de uma curva e ficamos atrás de um ônibus que foi fechado por um motorista inconsequente e irresponsável, coisa muito comum nas ruas e avenidas de Brasília ou de qualquer outra cidade deste nosso Brasil.

O motorista do ônibus precisou frear bruscamente, na tentativa de evitar um batida grave, e o carro parou de repente. Para nossa sorte minha irmã estava dirigindo bem devagar e não havia nenhum outro carro na faixa da esquerda, então foi possível uma manobra rápida para desviar nosso carro evitando que entrássemos embaixo do ônibus com o impacto do acidente.

Foi um susto enorme. O carro vermelho, que entrou na frente do ônibus, subiu no canteiro com a pancada que só não foi pior porque o motorista do ônibus também dirigia devegar e conseguiu frear a tempo para evitar uma batida de maiores consequências.

Saímos dali bem rápido, tremendo de susto, e seguimos para a clínica. Quando aferiram minha pressão ela estava um pouco alta em consequência do ocorrido.

Aproveitando que eu já estava um pouco alterada com o susto, questionei com os enfermeiros sobre minha dúvida se estou realmente usando o zometa ou algum genérico produzido na China.

Vou explicar. Sinto muitas dores nos ossos, principalmente nas articulações, mais ou menos vinte e quatro horas após o remédio entrar em minha corrente sanguínea. Isto acontece desde a primeira dose, há quase cinco anos, e nos últimos meses não tenho sentido nenhuma dor e isto me deixa muito intrigada.

Acho que todos na clínica ficaram horrorizados com minha pergunta direta, e podem até ter se sentido ofendidos, mas eu, como paciente oncológica, tenho todo o direito de questionar sobre a qualidade dos medicamentos que faço uso, pois disto depende minha saúde. Além do mais, meu convênio paga pela medicação verdadeira, fabricada em laboratório credenciado.

Fui para o box aguardar o preparo da medicação. Fiquei fazendo compressa quente no braço para facilitar a punção da veia que já está muito difícil depois de tantos anos de picada para fazer quimioterapia e outros exames de rotina. Quando o remédio chegou a enfermeira chefe trouxe junto a caixa com a ampola do zometa para que eu certificasse que era o remédio verdadeiro, fabricado pelo Laboratório Novartis, e não um genérico qualquer vindo da China.

Fiquei satisfeita em comprovar que o remédio era original, afinal não quero correr o risco de fazer uso de uma medicação inóqua e acabar sucumbindo de pura bobeira. Como diz o velho ditado: o seguro morreu de velho e o desconfiado ainda está vivo.

Netuno de Ébano

Após mais de trinta anos aprisionada pelo casamento
Ganhou novamente a liberdade com a viuvez recente.
Estava com mais de cinquenta anos e mesmo assim
Começou a trabalhar com a determinação de uma jovem.
Fez novos amigos, voltou a estudar
E experimentou pela primeira vez o prazer de viajar de férias.
Começou conhecendo o Brasil de norte a sul
E não demorou muito tempo para ganhar o mundo.
Se encantou com a nova descoberta
Arrumar as malas passou a ser sua atividade predileta
Além de fazer compras, é claro.
Devagar foi experimentando novos sabores
Novidades nunca antes pensadas e muito menos permitidas.
Descobriu o prazer de viver intensamente
Um dia de cada vez.
Aproveitando uma de suas férias
Ficou sabendo que detrás de um pequeno morro
Se escondia uma praia de nudismo.
Curiosa, não pensou duas vezes
Antes de subir a pequena escada de madeira
Para ver de perto e experimentar, mesmo
Depois dos sessenta anos
O prazer do naturismo.
Arrancou toda a roupa
E saiu caminhando na areia quente da praia quase deserta
Naquela hora da manhã.
Absorta, olhando as ondas quebraram a seus pés
Não observou a figura máscula
Que emergia na onda prateada.
A enorme sombra escondeu por alguns segundos
O brilho dos raios do sol.
Ela se assustou e soltou um grito
Ele se curvou galante e tocou-lhe suavemente o rosto com as mãos enormes.
Uma centelha percorreu seu corpo
Quando se deu conta corria pela praia
De mãos dadas com o Netuno de ébano.

Odeio etiqueta nas roupas

Aprontava para sair quando resolvi usar uma blusa que não via há tempos. Bastaram poucos segundos de uso para lembrar porque ela estava escondida, quase esquecida no fundo da gaveta: a maldita etiqueta.
Queria saber quem foi o sacana que teve a idéia de inventar a etiqueta para roupas e ainda costurar a infeliz do lado de dentro da peça? Levante o dedo aquele cidadão que nunca se contorceu todo para se coçar por causa de uma etiqueta que estava pinicando. Duvido que apareça alguém.
Como desgraça pouca é pequena, ainda apareceu alguém com uma idéia pior ainda: costurar a maldita etiqueta com linha de nylon. Isso só pode ser sadismo.
De uns tempos para cá até as calcinhas são vendidas com umas etiquetas maiores do que a própria peça. Qual o objetivo?
Sempre que compro roupa nova tomo o cuidado de retirar a etiqueta, mas a linha, principalmente quando é de nylon, não sai fácil. Ela insiste em se esconder para só dar as caras quando estamos na rua e sem tesoura por perto. É um inferno. A coceira não dá sossego.
Triste mesmo é furar a roupa novinha em folha na tentativa de retirar a etiqueta e a linha da costura, que nesses casos costuma ser muitíssimo bem feita (só sai furando...) Já cansei de passar por isso. A conta do prejuízo deveria ser enviada para a marca, mas como a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, fica para o consumidor mesmo. Ninguém mandou odiar etiqueta piniquenta.
Alguém já reparou que algumas marcas fazem questão de costurar umas etiquetas que medem quase meio metro? É aquela tira comprida e dura que não serve para nada. Só para coçar, é claro!
Cá entre nós, já que a idéia é exibir a maldita etiqueta porque não costuram a infeliz do lado direito do roupa? Se a idéia é a propaganda, faz isso direito e sem incomodar o usuário da roupa, mas não, parece que os fabricantes se esmeram em encontrar um tipo de etiqueta dura e com pontas finas para ficar torturando os idiotas que compram suas marcas.
E não venham me dizer que apenas roupas populares usam etiquetas que incomodam. Mentira, qualquer marca, das mais populares vendidas nas feiras até aquelas reservadas para poucos, todas usam etiquetas que incomodam e pinicam. Ou será que minha pele é que é muito sensível...

Um presentinho com amor


Acho estressante a correria para compras de final de ano. Tudo lotado e preços lá nas alturas. Um horror. Prefiro ficar longe das lojas e dos shoppings, dos estacionamentos sem vagas, do apelo consumista.

Passadas as festas, a vida parece voltar ao normal e os preços dos produtos também. É aí que eu prefiro entrar, pois detesto me sentir explorada.

Um dia desses entrei casualmente numa loja e acabei comprando umas canecas de louça, muito graciosas, para presentear alguns amigos que fiz nesses quase cinco anos de tratamento ininterrupto. Como são muitas pessoas precisei encontrar algo que agradasse a todos e ao meu bolso também e acabei achando o presente ideal: bonito, útil e com preço acessível. Foi perfeito.

Ontem comecei a distribuir os presentes na clínica onde faço tratamento quimioterápico e foi uma festa. Nem parecia que era apenas uma simples caneca de louça.

Hoje levei algumas para o laboratório Sabin, onde faço exame de sangue quase toda semana. O abraço gostoso que recebi do Noite foi a melhor coisa do mundo. Olha só o que um presentinho pode fazer! É uma troca incrível de carinho e energia positiva. Mais tarde passei pelo serviço médico do tribunal e foi muito legal também.

Quando voltava para casa vinha pensando no quanto é importante demonstrar para as pessoas que de alguma forma dividem a vida conosco que elas são queridas, que nos importamos com elas. Basta um cumprimento cordial no dia a dia, um bate papo informal ou apenas perguntar se o filho já melhorou do resfriado. Não precisa ser nada muito maior do que isto. Ocasionalmente um presentinho também é muito bem recebido e não precisa ser nenhuma jóia, mas precisa ser alguma coisa comprada com carinho especial. Simples assim.

Não existe remédio melhor do que amor, carinho e amizade e esses itens a gente só adquire quando os distribui com muita fartura.

Uma boa leitura num dia chuvoso e frio

Já se passaram mais de vinte dias desde que parei de tomar o xeloda e meus pés fizeram grande diferença. Vamos ver se agora minhas unhas também param de encravar, pois ninguém merece viver de unha encravada por causa de remédio.
Esse história de efeito colateral é um verdadeiro suplício. Remédio tem que servir para curar e não para arranjar outros problemas.
Nossa, mas eu estou achando bom demais não precisar fazer uso do xeloda. Só quem já precisou dessa quimioterapia pode avaliar o quanto é bom poder parar de tomar esse remédio. Ele pode até ser eficaz, mas cá entre nós, a quantidade de ziquiziras que ele provoca é um terror. Eu que o diga!
Estou usando o hormônio anastrozol no lugar do xeloda. Até agora não percebi nada diferente em mim. Vamos ver como ficarão os próximos exames. Quem sabe até lá acontece alguma coisa muito boa. Esperança é a última que morre, diz o velho ditado.
E não para de chover em Brasília. Ou é uma seca de doer, ou um aguaceiro danado. Não existe meio termo. Até o papel higiênico fica úmido, coisa horrorosa. Dá vontade de ficar só morgando dentro de casa, assistindo um bom filme ou lendo um bom livro. Hoje mesmo passei toda a manhã lendo sobre mitologia, coisa que adoro fazer. São tantos deuses, semi-deuses, centauros, titãs, ninfas e afins que sempre me sinto meio perdida e acabo concluindo que conheço muito pouco do assunto.
Hoje concentrei minha leitura em Zeus, deus grego dos céus, da terra e do trovão. Seu correspondente romano é Júpiter e na mitologia nórdica, Thor.
Filho de Cronos e Réia, era irmão de Poseidon, deus dos mares; e de Hades, deus das profundezas, do mundo dos mortos.
Suas irmãs eram Héstia, deusa do fogo; Deméter, deusa da colheitas; e Hera, deusa do casamento e dos lares.
Como todo deus mitológico Zeus era mulherengo e não desistia de uma conquista. Confiar nele era um desastre. Deuses, semi-deuses ou humanos eram traídos a qualquer momento. Era também vingativo, como todo deus mitológico que se preze.

Sonhando com deuses

Uma cama cheia de travesseiros macios
Convidando para dormir.
Entrei embaixo da colcha limpa e cheirosa
Fiquei ali quietinha no escuro, cismando...
Até o sono me apagar.
Sonhei cavalgar estrelas cintilantes
E mergulhar sem medo no rastro brilhante da estrela cadente
Até cair no fundo do mar,
Ser resgatada por Tritão
E pegar carona na carruagem de Poseidon.
Viajei rápido nas correntes oceânicas e
Num instante surfava na crista de ondas gigantescas
Que se desmanchavam em espuma na areia da praia.
Acordei e me dei conta de que
Estava na mesma cama macia que dormira na noite anterior...