Hoje completam 17 anos

          Meu primeiro pensamento assim que acordei  foi para o pai da minha filha. Foi quase inevitável, pois hoje está completando 17 anos do seu falecimento. Quanto tempo se passou... e ele se foi sem conhecer sua melhor obra, sua filha. Que pena! 
          Meu pensamento voou para um tempo distante que não volta mais,  saudades...
         Sorri sozinha rememorando lembranças gostosas, coisas engraçadas de nós dois. Lembrei da primeira vez que acordamos juntos e da cara de surpresa dele quando olhou para mim e viu meu cabelo todo arrumadinho. Ele exclamou: "Nossa, você não acorda descabelada!" Mal sabia ele que eu tinha levantado mais cedo e  penteado meus cabelos antes de voltar para a cama. Ele nunca desconfiou deste meu segredinho...
         Ele foi importante para minha vida, mas se com ele vivi o céu também vivi o inferno. Foi muito difícil aceitar o abandono dele num momento tão especial e difícil para mim. Eu estava grávida e ele não hesitou em virar as costas e ir embora sem olhar para trás. Coitado, perdeu a melhor parte da nossa história.
         Quando as lembranças dele ocupam meus pensamentos procuro pensar que foi ele quem  me deu o que tenho de mais importante na vida: minha filha. É por isto que prefiro guardar apenas as lembranças dos bons momentos que tivemos, mas é só.
         
2 Responses
  1. Lara Amaral Says:

    Li um poema esses dias da Yêda Schmaltz que fala bem dessa situação de abandono e outras coisas que as mulheres carregam a fundo na pele. Vou deixar aqui para vc, porque me identifiquei muito, é emocionante e dolorido. Beijo, tia.

    SEI-O SEREI-A

    Um cemitério de homens mortos
    na memória
    e eu não sei o que dizer
    às minhas filhas.

    De que valeu amar
    apaixonada,
    gerando nas entranhas a poesia
    da minha sexualidade envergonhada?

    Eu semeei: eram flores,
    mas colhi o vice-versa e o verso.
    Deu mel? Deu flor?

    Só sei que não deu certo
    e eu não sei o que dizer
    às minhas filhas.

    Não tive culpa se
    os homens não amaram.
    Que culpa tive se foi tudo
    vão?

    Como explicar o que é o amor
    pras minhas filhas
    se elas vão amar um garanhão?

    Como assinar por baixo
    da minha vida?

    Um cemitério de homens mortos
    na memória.

    Homens que não fizeram nada
    desta história de mim;
    que se furtaram pela porta: o vão
    e me deixaram berços,
    sem saber o que dizer
    às minhas filhas:
    se mostrar no ser mulher
    a marca do estigma
    ou a da repressão.

    Talvez lhes fale
    da larva, a pupa e a borboleta
    ou lhes diga da alma;
    que se emendam em grandeza
    o símbolo da pomba e da pureza,
    o signo do corpo e do orgasmo.

    Talvez não diga nada.
    São mulheres: serão apaixonadas.
    Mas o que é que eu vou dizer
    às minhas filhas?

    (Yêda Schmaltz: Pernambuco, 1941 - Goiás, 2003)


  2. Lou Says:

    Belo poema Lari, e dolorido, e infelizmente verdadeiro para muitas mulheres... É lamentável, mas isto continua acontecendo todos os dias. bjs


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Obrigada pelo comentário. bjs Lou