Os 86 anos da minha mãe

         Hoje, dia 19 de março, a igreja católica comemora o dia de São José, pai adotivo de Jesus.  Hoje também aconteceu a entronização do Papa Francisco, que celebrou no Vaticano a missa inaugural do seu pontificado. Ele destacou em sua homilia a figura de São José, patrono da igreja e o guardião de Maria e Jesus; e pediu por mais respeito às criaturas e a natureza. Tomara que suas súplicas encontrem eco ao redor do mundo.
            Hoje é um dia de muitas comemorações, e é também o dia do aniversário da minha mãe. Ela está completando 86 anos de uma vida plena e cheia de altos e baixos como costuma ser a vida da maioria de nós, simples mortais. Minha mãe é uma mulher admirável, ela é uma guerreira, uma mulher que soube superar preconceitos e vencer obstáculos; uma mulher que não se deixou abalar pelas dificuldades que a vida lhe impôs.
            Olhando a retrospectiva da história de vida da minha mãe não tenho a menor dúvida em dar nota 10 para esta guerreira anônima. Minha mãe ficou órfã de mãe aos 5 anos de idade, cresceu no meio do mato no interior de São Paulo, enfrentou o frio, a geada que cobria os campos de gelo branquinho, o medo dos animais selvagens que a noite rondavam sua casa rústica e frágil, e dos peçonhentos que perambulavam por todos os cantos tanto de dia quanto de noite. Minha mãe trabalhou na roça desde muito pequena e com pouco mais de 16 anos teve coragem de largar para trás tudo o que lhe era familiar para ir viver sozinha num colégio de freiras no Rio de Janeiro.
            Ela viveu muitos anos no Colégio Stela Maris, das filhas de Jesus, no Rio de Janeiro. Ela sempre faz questão de dizer que aprendeu no colégio das freiras tudo o que ela sabe, e é grata por isto. Ela também desejou se tornar freira na congregação das Filhas de Jesus, mas há mais de sessenta anos carregar na pele a cor morena, cor de canela, era motivo mais do que suficiente para impedir a concretização deste desejo. Se o preconceito racial existe ainda hoje, imaginem naquela época.
            Minha mãe não conseguiu se tornar a esposa de Cristo como era seu desejo, e acabou se casando com meu pai, muitos anos mais velho do que ela. O casamento durou pouco mais de onze anos, pois meu pai faleceu em 1969. Viúva, ela criou sozinha e com muito sacrifício as três filhas pequenas. Nossa casa, em minhas lembranças da infância, era um porto seguro para todos que por lá chegassem.  Sempre coube um prato a mais na mesa; sempre existiu um ombro amigo para amparar um pranto.
            Ontem eu e a Bárbara decidimos fazer um bolo de cenoura bem gostoso para cantarmos o parabéns da meia-noite para a minha mãe. Enquanto eu pegava o material para fazer o bolo a Bárbara descascou e picou a cenoura. Depois da massa pronta ela teve a ideia de fazer pequenos bolinhos, como um cupcake e um bolo pequenino para colocar a vela na hora do parabéns. A Suzi derreteu chocolate para fazer a cobertura e nossos bolinhos improvisados ficaram com uma aparência muito apetitosa, além de deliciosos.
            Meia-noite em ponto acendemos a velinha de aniversário com o número 8 e seis palitos de fósforo que espetamos no mini bolo.  Cantamos o parabéns prá você e fizemos aquela farra com nossa matriarca. Ela ficou toda feliz. O parabéns da meia-noite é tudo de bom. É nosso momento família. 
4 Responses
  1. Anônimo Says:

    Os "momentos família" são os melhores!
    Parabéns para sua mãe... e, tal mãe, tal filha! Duas mulheres de coragem e sabedoria.
    Forte abraço!
    Cristiane
    Campo Grande MS


  2. Lou Says:

    Obrigada pelas palavras de carinho Cristiane. Um forte abraço para você também.
    Lou


  3. Parabéns a sua Mamãe e a você! ;)


  4. Lou Says:

    Obrigada Cássia. bjs Lou


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Obrigada pelo comentário. bjs Lou