Uma tremedeira sem controle

A bruxa anda solta mesmo. Hoje tive um piripaque durante a quimioterapia.
Começou do nada. Eu já estava recebendo a quimio quando comecei a sentir muito frio. Peguei um edredon e me agasalhei, mas não adiantou nada. O frio piorou e o corpo todo começou a doer. De repente comecei a tremer sem controle e não sei se chorava ou apenas lacrimejava, mas eu sentia as lágrimas quentes descerem pelo meu rosto. Os dentes chacoalhavam freneticamente uns contra os outros. Os braços e pernas batiam contra a cadeira reclinada sem que eu conseguisse contê-los.
Num instante o meu box estava cheio. A enfermeira chefe correu para fechar o cateter e foi aferir minha pressão que nessa altura já estava com a máxima em 19. Colocaram aquele aparelho que mede a frequência cardíaca, ele bipava sem parar e eu tremia feito vara verde. Não dava para controlar o tremor. Eu me sentia como se estivesse presa num barril fechado que havia sido jogado numa corredeira... Meu corpo não me obedecia. Eu não conseguia concatenar os pensamentos.
Naquela correria frenética dos médicos e enfermeiros tentando me estabilizar eu só distinguia a voz suave da Drª Camila me pedindo para ter calma e que estava tudo sob controle. Mediram minha temperatura e injetaram alguma coisa para controlar os tremores e a dor. Os tremores não cessavam. Eu estava exausta e sentia a energia fugindo do meu corpo a cada minuto.
Não sei quanto tempo demorou para que eu fosse estabilizada, creio que não foi mais do que uns 15 minutos, mas para mim parecia uma eternidade. Disseram que os sintomas eram de uma bacteremia e que devia vir do catéter. Alguma bactéria pode ter se alojado ali, se multiplicou, e quando começou a quimio ela invadiu a corrente sanguínea provocando o colapso.
Ainda fiquei algum tempo sentindo frio, mas as dores foram cedendo bem como os tremores. De vez em quando eu sentia os braços e as pernas tremerem sem controle, mas nada comparado ao corpo inteiro tremendo loucamente.
Minha irmã e minhas amigas da arteterapia foram chegando assustadas. Num primeiro momento nem tinham percebido que era comigo e tão logo se deram conta disso ficaram mais assustadas ainda. Olhavam para mim como que para se certificarem de que eu estava bem e que tudo não passara de um susto. Eu estava tão exausta que mal conseguia falar para acalmá-las.
Numa hora dessas você percebe claramente a fragilidade da vida. Num minuto você está bem e no minuto seguinte pode simplesmente entrar em colapso... É assustador.
Depois que tudo passou a Drª Fabiana veio falar comigo. Ela brincou, mas acabou afirmando que realmente os sintomas que tive levam a crer que o problema foi uma bacteremia. Vou precisar fazer alguns exames para avaliar se é isso mesmo. É provável que seja algo assim porque ando tendo umas infecções de repetição de uns tempos para cá. Meu braço direito, que não tem gânglios linfáticos, continua inchado por causa disso.
A Marilene precisou puncionar uma veia para contiuar a quimio. A Janúcia, como sempre, foi atenciosa e muito carinhosa comigo. Por causa do problema que tive precisei tomar mais soro do que o usual, mas agora estou bem e é como se nada tivesse acontecido. Ainda bem.
3 Responses
  1. Falei com vc hj vc realmente é uma pessoa mto alto astral pqp!

    Eu não sei como vc consegue mas sabe aqueles filmes de suspense? Eu lendo o q vc escreveu me senti num desses, a diferença é que o desfecho n foi terrível...

    Sabe aquelas pessoas que prendem a atenção da gente? Só sei que meu coração palpitou e o calor tomou conta de mim lendo isso... Se cuida pelamor eu te amo!


  2. Lara Amaral Says:

    Senti o mesmo que a Raïssa.

    Nossa, tia, que horror deve ter sido.

    O nosso corpo prega peças na gente, faz de tudo para mostrar que não temos muito controle sobre ele. Mas vc é mto mais forte e sempre supera!

    Que bom que está melhor.

    Estou sempre com vc em meu coração.

    Beijos.


  3. Ana Paula Says:

    Nossa... ufa que bom que vc está melhor!!!! Deus abençoe vc!


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Obrigada pelo comentário. bjs Lou