Problemas e respostas emocionais

O Horário de verão teve início no domingo mas até hoje, terça-feira, dia 20, ainda não ajustei meu relógio biológico. Levantei às 8 horas quando o normal é me levantar por volta das 7. Preparei correndo uma salada de frutas e o lanche da minha filha que já estava quase saindo para o trabalho.
O dia amanheceu movimentado: primeiro recebi uma ligação de uma amiga muito angustiada porque sua filha foi hospitalizada e está na UTI. Saí de casa para fazer exame de sangue e encontrei outra amiga chorando preocupada com sua filha pré-adolescente que é fechada como uma ostra. Quando me encaminhava para o carro recebi um telefonema de outra amiga aflita com os problemas do marido.
Parece que por todos os lados para onde olho vejo alguém enfrentando momentos, no mínimo, delicados. Não encontro palavras para consolar quem me procura, mas ouço a todos com atenção, carinho, respeito e solidariedade. Às vezes é somente isso que o outro precisa: alguém que o escute.
Enquanto o carro avança me vejo mergulhada num mar de pensamentos. Penso em todas as amigas que falaram comigo nas primeiras horas da manhã. Penso em outras pessoas que conheço e que estão enfrentando algum tipo de problema de saúde, de ordem financeira, emocional ou moral e que estão sofrendo. São problemas diversos, alguns de mais fácil solução outros, bastante complicados. Acabo concluindo que meu problema de saúde é quase mais fácil de carregar do que muitos que tenho conhecimento.
Para atacar um problema de saúde física existem muitos profissionais capacitados. Aliás, a cada dia que passa os médicos estão mais especializados e os exames mais sofisticados e precisos. Mas, lidar com emoções é difícil e delicado. É preciso, além do conhecimento científico, ter muita sensibilidade. O ser humano é muito complexo. Diante de um mesmo problema cada um terá uma reação individualizada, uma percepção diferente... Vai depender da bagagem emocional que cada indivíduo carrega consigo.
O que leva uma pessoa querer desistir da vida? Dor, desespero, desânimo, desesperança? Acho que depende do momento que a pessoa está vivenciando. Pode ser uma angústia que parece tão sem solução que a vida perde o sentido. Pode também ser uma dor sem fim que não dá para suportar. Ou quem sabe é porque a injustiça sofrida é tão cruel e incompreensível que a morte parece o caminho mais curto para sufocar a perplexidade?
Não sei. Não consigo atinar com uma resposta objetiva para um problema dessa natureza. A única coisa que sei é que enquanto algumas pessoas resolvem por um fim a sua existência e assim abreviar sua dor outras lutam desesperadamente para ganhar um tempo a mais, mesmo com muitas dores e sacrifícios.
Qual a diferença entre esses dois grupos de indivíduos? Muitas, tenho certeza. E não se trata apenas de diferença de personalidade, temperamento ou coisas dessa natureza. O funcionamento do cérebro ainda não está totalmente decodificado. As reações bioquímicas dependem de vários fatores internos e externos. As respostas emocionais são muito distintas e variam de indivíduo para indivíduo.
Nesse emaranhado de perguntas sem respostas, de emoções algumas vezes exacerbadas prefiro olhar o outro sem julgamento. O mais acertado é apenas tentar compreender o gesto, seja ele qual for, sem censura. Se for necessário, estender a mão para amparar ou abrir os braços para abraçar.
3 Responses
  1. Gostei do texto, reflete com alto astral as situações difíceis


  2. Admiro sua força, de verdade mas ninguém é de ferro, sei q vc é AMIGA e gosta de ajudar as pessoas mas sinceramente vc tem os seus problemas q são mtos, vc tem as suas angústias e passa por um tratamento mto sério e fico PUTA qdo resolvem deabafar dos problemas dos outros com vc, isso mexe com vc pq vc ama essas pessoas e vc fica + frágil qdo precisa estar forte...

    Te amo e quero que melhore logo!


  3. Mariana Says:

    Oi tia Lou,estou escrevendo pq achei seu texto muito legal, comentei com a Issia e ela me encorajou a lhe dizer o que pensei.

    Assim, eh ate "legal" isso de suas amigas lhe procurarem, pq te faz refletir em altas coisas...e ai voce desabafa num texto muito bem feito e bonito.
    O lance que a Raissa comentou logo acima, de as pessoas lhe procurarem pra contar seus problemas e voce ja ter os seus, e ainda ficar preocupada com os problemas dos outros..
    Ate entendo pq a Raissa fica preocupada, pq mexe o emocional ne..
    Mas tambem eh bom, pq como voce mesmo disse, mostra que certas situacoes das outras pessoas mostram como eh um pouco mais facil de carregar o seu.
    E mostra como voce esta no caminho certo, de ir buscar ajuda e tratamento, sendo que tem pessoas que nao fazem isso e
    acabam se enterrando no problema.
    E,assim, eu acho de muita importancia ter um amigo que eu sei que posso contar a qualquer momento (mesmo nesse caso, que a pessoa esta cheia de problemas tb), e esse amigo vai me escutar, e me dar algum conforto...
    Entende? Muito legal isso seu,mesmo com os seus problemas, ainda esta aberta aos amigos. Nao eh uma pessoa egoista.
    Tu nao se coloca na posicao de vitima e de "fim do mundo", pelo contrario, decidiu lutar.
    Lhe admiro muito por isso tudo.
    Estou falando isso tudo, porque tenho uma experiencia que me marcou muito e me feriu profundamente. No momento em que mais precisei, quando fui pedir algum auxilio ou conforto pro amigo que achei que seria a melhor pessoa pra me escutar (a pessoa que considerava uma amizade verdadeira), no final,foi a unica pessoa que virou as costas pra mim.
    Entao, eh isso, lhe admiro pela sua coragem, pela sua forca e por ser uma boa amiga... ah e tem mais um monte de elogios..
    Voce e a tia Suzi sao duas mulheres incriveis.
    Beijos de coracao,
    Mari.


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Obrigada pelo comentário. bjs Lou